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SERMÃO 43

"Ai de Nós, Se Tu Fosses Tudo, E Nada Mais, Ó Terra"

1 Coríntios 15:19
"Se tão somente nesta vida temos esperança em Cristo, somos os mais dignos de compaixão de todos os homens." — 1 Coríntios 15:19

Compreendereis que o apóstolo está argumentando com pessoas que se dizem cristãs, mas que duvidavam da ressurreição dos mortos. Ele não está dizendo que todos os homens são agora miseráveis se não há esperança do mundo por vir, pois tal afirmação seria falsa. Há muitíssimos que jamais pensam em outra vida, que estão muito felizes à sua maneira, se divertem, e estão muito confortáveis de certa forma. Mas ele fala de pessoas cristãs: "Se nós, que temos esperança em Cristo, somos levados a duvidar da doutrina de um estado futuro e de uma ressurreição, então somos os mais infelizes de todos os homens." O argumento nada tem a ver com alguns de vós que não sois cristãos; nada tem a ver convosco que jamais fostes tirados de um estado de natureza para um estado de graça; refere-se apenas àqueles que são verdadeiros e vivos seguidores do Salvador, conhecidos por isto: que têm esperança em Cristo — esperança em seu sangue para o perdão, em sua justiça para a justificação, em seu poder para o sustento, em sua ressurreição para a glória eterna. "Se nós que temos esperança em Cristo temos essa esperança somente para esta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens." Compreendeis o argumento; ele apela à consciência deles; eles, como cristãos, tinham verdadeiros prazeres, "mas", diz ele, "não poderíeis ter esses prazeres se não fosse pela esperança de outra vida; pois, uma vez tirada essa esperança, se ainda pudésseis permanecer cristãos e ter os mesmos sentimentos que agora tendes, e agir como agora agis, tornar-vos-íeis os mais miseráveis de todos os homens", e portanto, para justificar a vossa própria felicidade e torná-la toda razoável, deveis admitir uma ressurreição; não há outro método de explicar a paz jubilosa que o cristão possui. As nossas riquezas estão além do mar; a nossa cidade de firmes fundações jaz do outro lado do rio: clarões de glória do mundo espiritual alegram os nossos corações e nos impelem para a frente; mas se não fosse por eles, as nossas alegrias presentes definhariam e morreriam.

Tentaremos tratar do nosso texto desta manhã da seguinte maneira. Primeiro, não somos os mais miseráveis de todos os homens; mas, segundo, sem a esperança de outra vida o seríamos — isso estamos prontos a confessar — porque, terceiro, a nossa maior alegria reside na esperança de uma vida futura; e assim, quarto, o futuro influencia o presente; e portanto, por último, podemos hoje julgar o que será o nosso futuro.

I. NÃO SOMOS OS MAIS MISERÁVEIS DE TODOS OS HOMENS

Primeiro, portanto, NÃO SOMOS OS MAIS MISERÁVEIS DE TODOS OS HOMENS. Quem ousa dizer que somos? Aquele que tiver a audácia de dizê-lo nada sabe de nós. Aquele que afirmar que o cristianismo torna os homens miseráveis é ele mesmo um completo estranho a ele, e jamais participou de suas alegres influências. Seria coisa muito estranha, de fato, se ele nos tornasse miseráveis, pois vede a que posição ele nos exalta! Faz-nos filhos de Deus.

Supondes que Deus dará toda a felicidade aos seus inimigos, e reservará todo o luto para seus filhos? Hão de ter seus inimigos alegria e júbilo, e seus próprios filhos, nascidos em casa, herdarão tristeza e miséria?

São os beijos para os ímpios e os franzidos de sobrolho para nós? Estamos condenados a pendurar as nossas harpas nos salgueiros e a cantar apenas fúnebres elegias, enquanto os filhos de Satanás riem de júbilo? Somos herdeiros de Deus e co-herdeiros com Cristo Jesus. Há de o pecador, que não tem parte nem herança em Cristo, chamar-se a si mesmo feliz, e havemos de andar de luto como se fôssemos mendigos sem vintém? Não; regozijar-nos-emos no Senhor sempre, e gloriar-nos-emos em nossa herança, pois "não recebestes o espírito da escravidão para andar em temor; mas recebestes o espírito da adoção, pelo qual clamamos: Aba, Pai." A vara da correção deve pousar sobre nós em certa medida, mas ela produz para nós os confortantes frutos da justiça; e portanto, com o auxílio do divino Consolador, nos regozijaremos no Senhor em todo o tempo.

Somos, meus irmãos, casados com Cristo; e há de o nosso grande Esposo permitir que sua esposa languesça em constante tristeza? Os nossos corações estão ligados a ele: somos membros do seu corpo, da sua carne e dos seus ossos, e embora por algum tempo possamos sofrer como sofreu o nosso Cabeça, ainda agora somos abençoados com bênçãos celestiais nele. Há de reinhar o nosso Cabeça no céu, e haveremos nós de ter um inferno na terra? Deus nos livre: o jubiloso triunfo do nosso glorificado Cabeça é em certa medida participado por nós, mesmo neste vale de lágrimas. Temos as arras da nossa herança nos consolos do Espírito, que não são nem poucos nem pequenos. Pensai num cristão! É um rei, e há de ser o rei o mais melancólico dos homens? É um sacerdote para Deus, e não há de oferecer incenso suave de santa alegria e grata ação de graças? Somos companheiros aptos para os anjos: ele nos tornou aptos para sermos participantes da herança dos santos em luz; e não haveremos de ter dias de céu sobre a terra? É nossa Canaã de Dã a Berseba, e não haveremos de comer fruto da videira de Escol deste lado do Jordão? Não haveremos de provar dos figos, e das romãs, e do leite e mel que corre? Há maná no deserto? Há correntes no ermo? Há raios de luz para anunciar o nosso eterno amanhecer?

Herdeiros de alegria para sempre, não temos antegostos da nossa porção? Repito, seria a coisa mais estranha do mundo se os cristãos fossem mais miseráveis do que os outros homens, ou não fossem mais felizes. Pensai ainda no que Deus fez por eles! O cristão sabe que os seus pecados estão perdoados; não há contra o crente um único pecado registado no livro de Deus. "Apaguei, como nuvem espessa, as tuas transgressões, e como nuvem, os teus pecados." Mais ainda, o crente é considerado por Deus como se tivesse cumprido perfeitamente a lei, pois a justiça de Cristo lhe é imputada, e ele está revestido daquele belo linho branco que é a justiça dos santos. E há de ser miserável o homem que Deus aceita? Há de ser menos feliz o ofensor perdoado do que o homem sobre o qual permanece a ira de Deus? Podeis conceber tal coisa? Além disso, meus irmãos, somos feitos templos do Espírito Santo, e há de ser o templo do Espírito Santo um lugar escuro e lúgubre, um lugar de gritos, gemidos e choros, como os bosques druídicos de outrora? Não é assim o nosso Deus. O nosso Deus é um Deus de amor, e é da sua própria natureza tornar as suas criaturas felizes; e nós, que somos as suas criaturas criadas duas vezes, que somos participantes da natureza divina, tendo escapado da corrupção que há no mundo pela concupiscência, há de se supor que estamos obrigados por um severo decreto a andar de luto todos os nossos dias? Oh! se conhecêsseis o privilégio do cristão, se compreendêsseis que o segredo do Senhor lhe é revelado, que as chagas de Cristo são o seu abrigo, que a carne e o sangue de Cristo são o seu alimento, que o próprio Cristo é o seu doce companheiro e o seu amigo permanente, oh! se soubésseis isto, jamais sonharíeis tolamente que os cristãos são uma raça infeliz. "Feliz és tu, ó Israel: quem é como tu, povo salvo pelo Senhor?" Quem pode ser comparado com o homem que está "saciado de favor e cheio da bênção do Senhor?" Bem podia o mau profeta de Bethor exclamar: "Morra eu a morte dos justos, e seja o meu fim como o seu."

Iremos um passo além. Não diremos apenas que, pela natureza de sua posição e privilégios, o cristão deveria ser feliz, mas declaramos que ele o é, e que entre todos os homens não há nenhum que goze de tão constante paz de espírito como os crentes em Cristo. A nossa alegria pode não ser como a do pecador, barulhenta e exuberante. Sabeis o que diz Salomão: "O riso dos loucos é como o crepitar de espinhos debaixo de uma panela" — muito brilho e muito barulho, e depois um punhado de cinzas, e tudo acabou. "Quem tem ai? quem tem vermelhidão dos olhos? Os que se demoram junto ao vinho." O cristão, na verdade, não conhece muito a excitação da taça, da viola e da dança, nem deseja conhecê-la; está contente por possuir uma calma profunda e arraigada de alma. "Não tem medo de más notícias; o seu coração está firme, confiando no Senhor." Não é perturbado por nenhum temor súbito: sabe que "todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito." Tem o hábito, em qualquer companhia em que se encontre, de elevar ainda o seu coração a Deus; e portanto pode dizer com o Salmista: "O meu coração está firme, ó Deus, o meu coração está firme; cantarei e darei louvores."

"Em segredo espera no seu Deus;
Seu Deus em segredo vê;
Mesmo que a terra esteja em armas ao redor,
Ele habita em paz celestial.

Os seus prazeres surgem de coisas invisíveis,
Além deste mundo e do tempo,
Onde nem olhos nem ouvidos estiveram,
Nem os pensamentos dos pecadores chegam.

Não precisa de pompa nem de trono real
Para elevar a sua figura aqui:
Contente e satisfeito em viver desconhecido,
Até que Cristo, sua vida, apareça."

"Há um rio cujas correntes alegram a cidade de Deus." Os crentes bebem desse rio e não têm sede de delícias carnais. São feitos "deitar em verdes pastagens", e são conduzidos "junto de águas tranquilas."

Ora, esta sólida e duradoura alegria e paz de espírito eleva o cristão tão acima de todos os outros que afirmo ousadamente que não há povo no mundo que se compare com ele em felicidade. Mas não suponhais que a nossa alegria nunca sobe acima desta calma tranquila; pois deixai-me dizer-vos, e falo por experiência, que temos as nossas estações de delícia arrebatadora e bem-aventurança transbordante. Há momentos conosco em que nenhuma música poderia igualar a melodia do hino de alegria do nosso coração. Esvaziaria todos os cofres da terra de cada centavo da sua alegria para comprar uma única onça da nossa delícia. Não imagineis que Paulo foi o único homem que pôde dizer: "Se no corpo ou fora do corpo, não sei; Deus o sabe", pois esses êxtases são habituais nos crentes; e nos seus dias de sol, quando a sua incredulidade é sacudida e a sua fé é forte, quase caminharam pelas ruas de ouro; e podem dizer: "Se ainda não entrámos pela porta de pérola, estivemos apenas do outro lado dela; e se ainda não chegámos à assembleia geral e Igreja dos primogênitos, cujos nomes estão escritos no céu, se ainda não nos juntamos à grande congregação dos perfeitos em corpo real, ainda assim — já agora pela fé unimos as mãos com os que partiram antes, e saudamos as bandas aspergidas de sangue na praia eterna."

Não trocaria cinco minutos da alegria excessiva que a minha alma às vezes sentiu por mil anos do melhor prazer que os filhos deste mundo poderiam dar-me. Ó amigos, há uma felicidade que pode fazer o olho brilhar e o coração pulsar forte, e o homem todo transbordante de vida vigorosa como as carruagens de Aminadabe. Há arrebatamentos e altos êxtases que, nos dias de festa que o Senhor destina ao seu povo, os santos têm permissão de desfrutar. Não me posso esquecer de vos recordar que o cristão é o mais feliz dos homens por esta razão: a sua alegria não depende das circunstâncias. Vimos os homens mais felizes nas condições mais tristes.

O Sr. Renwick, o último dos mártires escoceses, disse pouco antes de sua morte: "Os inimigos se satisfazem pensando que somos obrigados a vagar pelos pântanos e pelas montanhas, mas mesmo no meio da tempestade destas últimas duas noites não posso expressar que doces momentos tive quando não tinha outro abrigo senão as escuras cortinas da noite: sim, na silenciosa vigília a minha mente foi levada a admirar o profundo e inesgotável oceano de alegria em que toda a família do céu nada. Cada estrela me levava a me admirar de como deve ser Aquele que é a Estrela de Jacó, e de quem todas as estrelas recebem o seu brilho." Eis um mártir de Deus afastado de casa e lar e de todos os confortos, e ainda assim tendo tão doces estações sob as cortinas da noite negra como os reis raramente conhecem sob as suas cortinas de seda. Um ministro de Cristo, indo visitar um homem muito, muito pobre, dá esta descrição: "Encontrei-o sozinho, tendo a sua mulher saído para pedir auxílio a algum vizinho. Fiquei alarmado com a vista do homem pálido e emacidado, a imagem viva da morte, preso em pé na sua cadeira por um grosseiro mecanismo de cordas e correias dependuradas do teto, totalmente incapaz de mover mãos ou pés, tendo sido por mais de quatro anos completamente privado do uso dos seus membros, e sofrendo dores extremas por inchaços em todas as articulações. Aproximei-me dele cheio de pena, e disse: 'Está sozinho, meu amigo, nesta deplorável situação?' Ele respondeu com voz suave — os lábios eram a única parte do corpo que parecia ter poder para mover — 'Não, senhor, não estou só, porque o Pai está comigo.' Comecei a falar com ele, e logo observei qual era a fonte da sua consolação, pois bem à sua frente estava a Bíblia sobre uma almofada, sua mulher tendo-a deixado aberta num belo Salmo de Davi para que ele pudesse ler enquanto ela saísse, pois não tinha poder para virar as folhas. Perguntei-lhe de que vivia, e descobri que era uma miserável ninharia, mal suficiente para sustentar corpo e alma, 'Mas', disse ele, 'nunca me falta nada, pois o Senhor disse: O vosso pão será dado, e a vossa água será certa, e eu confio nele, e nunca me faltará enquanto Deus for fiel à sua promessa.' 'Perguntei-lhe', diz este ministro, 'se não se queixava frequentemente de sofrer tão agudamente por tantos anos. Sir, disse ele, queixei-me no princípio, mas não nos últimos três anos, bendito seja Deus por isso, pois sei em quem tenho crido, e embora sinta cada vez mais a minha própria fraqueza e indignidade, todavia estou persuadido de que ele jamais me deixará nem me abandonará; e tão graciosamente me consola que quando os meus lábios estão fechados pelo tétano e não posso falar uma palavra por horas seguidas, ele me capacita a cantar os seus louvores mais docemente no meu coração.'"

Eis um homem para quem o sol de todo conforto terreno se havia posto, e ainda assim o sol do céu brilhava pleno na sua face, e ele era mais pacífico e feliz na profunda pobreza e na dor torturante do que qualquer um de nós na saúde e na força da juventude. John Howard passou o seu tempo visitando cadeias e indo de um antro de febre a outro; foi-lhe perguntado como podia encontrar qualquer razão de felicidade quando vivia em miseráveis aldeias russas, ou habitava no desconforto de um hospital ou de uma cadeia. A resposta do Sr. Howard foi muito bela: "Espero", disse ele, "ter fontes de prazer que não dependem do lugar particular que habito. Uma mente devidamente cultivada, sob o poder da graça divina e o exercício de uma disposição benevolente, oferece uma base de satisfação que não é afetada por aqui e ali."

Todo cristão vos dará testemunho de que encontrou os seus tempos tristes como os seus tempos alegres, as suas perdas como os seus ganhos, as suas doenças como meios de promover a saúde da sua alma. O nosso verão não depende do sol, nem a nossa maré cheia da lua. Podemos regozijar-nos mesmo na morte. Aguardamos com esperança aquela feliz hora em que fecharemos os olhos no sono pacífico da morte, crendo que o nosso último dia será o nosso melhor dia. Mesmo a travessia do rio Jordão é apenas uma tarefa fácil, pois ouviremos que ele diz: "Não temas; estou contigo; não te assombres, porque eu sou o teu Deus; quando passares pelos rios, estarei contigo, e os rios não te submergirão." Ousamos dizê-lo, portanto, muito ousadamente: não somos os mais miseráveis de todos os homens; não trocaríamos com os homens não convertidos por todas as suas riquezas, pompa e honra jogadas na balança.

"Ide vós que vos gloriais em todos os vossos tesouros,
E dizei como eles brilham;
Os vossos montões de pó reluzente são vossos,
E o meu Redentor é meu."

II. SEM A ESPERANÇA DE OUTRA VIDA, SERÍAMOS OS MAIS MISERÁVEIS

Isto nos leva ao segundo ponto — SEM A ESPERANÇA DE OUTRA VIDA, ADMITIMOS QUE SERÍAMOS OS MAIS MISERÁVEIS DE TODOS OS HOMENS.

Isto era especialmente verdadeiro dos apóstolos. Foram rejeitados pelos seus compatriotas; perderam todos os confortos do lar; as suas vidas foram passadas em trabalho e estavam diariamente expostas à morte violenta. Todos eles sofreram a morte de mártir, exceto João, que parece ter sido preservado não do martírio, mas nele. Eram certamente os doze homens mais miseráveis à parte dessa esperança do mundo por vir, que os tornava os mais felizes de todos os homens. Mas isto é verdade, queridos amigos, não apenas dos cristãos perseguidos, desprezados e pobres, mas de todos os crentes. Estamos prontos a conceder que, retirada de nós a esperança do mundo por vir, seríamos mais miseráveis do que os homens sem religião. A razão é muito clara, se pensardes que o cristão renunciou às fontes comuns e ordinárias de alegria de que outros homens bebem. Precisamos de algum prazer: é impossível para os homens viverem neste mundo sem ele, e posso dizer com toda a verdade que jamais vos exorto a fazer algo que vos tornasse infelizes. Precisamos de algum prazer.

Pois bem, há um vaso cheio de água lamacenta e suja que os pés dos camelos agitaram: devo bebê-la? Vejo ali ao longe um riacho borbulhante de água cristalina e refrescante como a neve do Líbano, e digo: "Não, não beberei esta imundície lodosa; deixem isso para as bestas; beberei daquele claro riacho." Mas se estiver enganado, se não houver nenhum riacho ali, se for apenas a enganosa miragem, se fui iludido, então estou pior do que os que se contentaram com a água lamacenta, pois eles têm pelo menos alguns tragos refrescantes; mas eu não tenho nenhum. Este é precisamente o caso do cristão. Passa pelos prazeres do pecado e pelas diversões dos homens carnais, porque diz: "Não me importo com eles, não encontro prazer neles: a minha felicidade flui do rio que mana do trono de Deus e me chega através de Jesus Cristo — beberei daquele"; mas se não houvesse vida futura, se isso fosse provado ser uma decepção, então seríamos mais miseráveis do que o dissoluto e o licencioso.

Além disso, o cristão aprendeu a vaidade de todas as alegrias terrenas. Sabemos quando olhamos para a pompa que ela é coisa vã. Andamos pelo mundo, não com o desdém de Diógenes, o filósofo cínico, mas com algo da sua sabedoria, e olhamos para as coisas comuns em que os homens se regozijam e dizemos com Salomão: "Vaidade das vaidades, tudo é vaidade." E por que dizemos isto? Porque escolhemos coisas eternas em que não há vaidade alguma, e que são satisfatórias para a alma. Mas, meus irmãos, é o conhecimento mais infeliz que um homem pode adquirir saber que este mundo é vão, se não há outro mundo que compense abundantemente todos os nossos males. Há um pobre louco no asilo, trançando palha numa coroa que coloca na cabeça, chamando-se rei, subindo ao seu trono simulado e pensando ser monarca sobre todas as nações, perfeitamente feliz no seu sonho.

Pensais que eu o desenganaría? Não, de modo nenhum, se pudesse, não o faria. Se o delírio torna o homem feliz, deixemo-lo entregar-se a ele; mas, caros amigos, vós e eu fomos desengados; o nosso sonho de perfeita bem-aventurança sob os céus se foi para sempre; o que então, se não há mundo por vir? Então é para nós coisa muito triste que tenhamos sido despertados do nosso sono, a menos que esta coisa melhor que escolhemos, esta boa parte que não nos será tirada, resulte ser real e verdadeira, como de fato cremos que é.

Além disso, o cristão é um homem que teve expectativas altas, nobres e grandes, e isto é coisa muito triste para nós se as nossas expectativas não forem cumpridas, pois isso nos torna os mais miseráveis de todos os homens. Conheci homens pobres esperando e aguardando uma herança. Tinham direito de esperá-la, e esperaram, e esperaram, e suportaram a pobreza, e o parente morreu e não lhes deixou nada; desde então a sua pobreza sempre lhes pareceu um fardo mais pesado do que antes. É coisa infeliz para um homem ter grandes ideias e grandes desejos, se não pode satisfazê-los. Creio que a pobreza é infinitamente melhor suportada pelas pessoas que sempre foram pobres do que pelas que foram ricas e tiveram de descer à penúria, pois elas sentem falta do que as outras nunca tiveram. O cristão aprendeu a pensar na eternidade, em Deus, em Cristo, na comunhão com Jesus, e se de fato tudo for falso, ele certamente sonhou o mais magnífico de todos os sonhos mortais. Verdadeiramente, se alguém pudesse provar ser um sonho, a melhor coisa que poderia fazer seria sentar-se e chorar para sempre ao pensar que não era verdade, pois o sonho é tão esplêndido, o quadro do mundo por vir tão magnífico, que só posso dizer: se não for verdade, deveria ser — se não for verdade, então não há nada aqui que valha a pena viver, meus irmãos, e somos de fato criaturas desapontadas — os mais miseráveis de todos os homens.

O cristão também aprendeu a considerar tudo aqui na terra como fugaz. Confesso que este sentimento cresce em mim a cada dia. Quase não olho para os meus amigos como vivendo. Ando como numa terra de sombras, e não encontro nada duradouro ao meu redor. A flecha larga do grande rei esqueleto está, ao meu olhar, visivelmente estampada em toda parte. Vou tantas vezes ao túmulo, e com aqueles que menos esperava levar lá, que me parece ser antes um mundo de homens moribundos do que de vivos. Pois bem, este é um estado de espírito muito infeliz para um homem estar, se não há mundo por vir. Se não há ressurreição dos mortos, então é o cristão de fato entregue a um estado de espírito o mais deplorável e lamentável. Mas, ó meus irmãos, se há um mundo por vir, como a fé nos assegura que há, quão jubiloso é estar desmamado do mundo e pronto para partir dele! Estar com Cristo é muito melhor do que permanecer neste vale de lágrimas.

"Os laços que prendiam meu coração à terra
São quebrados pela sua mão;
Diante da sua cruz me acho
Um estrangeiro nesta terra.

Meu coração está com ele no seu trono,
E mal suporta o atraso;
A cada momento ouvindo a voz:
'Apressa-te, e vem!'"

III. NOSSA PRINCIPAL ALEGRIA NA ESPERANÇA DO MUNDO POR VIR

A NOSSA PRINCIPAL ALEGRIA ESTÁ NA ESPERANÇA DO MUNDO POR VIR. Pensai no mundo por vir, meus irmãos, e deixai que as vossas alegrias comecem a acender-se em chamas de deleite, pois o céu vos oferece tudo o que podeis desejar. Muitos de vós estais cansados do trabalho; tão cansados, talvez, que mal podeis desfrutar do culto matinal por causa das horas tardias a que tiveis de trabalhar à noite. Ah! há uma terra de descanso — de descanso perfeito, onde o suor do trabalho não mais banha a fronte do trabalhador, e a fadiga é banida para sempre. Para os que estão cansados e exaustos, a palavra "descanso" é cheia de céu. Oh! feliz verdade, resta um descanso para o povo de Deus. "Descansam dos seus trabalhos, e as suas obras os seguem." Outros de vós estais sempre no campo de batalha; sois tão tentados por dentro e tão molestados por inimigos por fora que tendes pouca ou nenhuma paz. Sei onde está a vossa esperança. Está na vitória, quando o estandarte será erguido no alto, e a espada será guardada, e ouvireis o vosso Capitão dizer: "Bem feito, servo bom e fiel; combateste o bom combate; terminaste a carreira; a partir de agora, usa tu a coroa da vida que não se desvanece." Alguns de vós estão atirados por muitos problemas; passais de preocupação em preocupação, de perda em perda: parece-vos que todas as ondas e vagas de Deus passaram sobre vós; mas em breve chegareis à terra da felicidade, onde banhareis a vossa alma cansada em mares de descanso celestial. Em breve não tereis pobreza; nenhum casebre de lama, nenhum trapo, nenhuma fome. "Na casa de meu Pai há muitas moradas", e ali habitareis, saciados de favor e cheios de toda bênção. Tivestes luto após luto; a esposa foi levada ao túmulo, os filhos se foram, pai e mãe partiram, e poucos restam para vos amar aqui; mas ides para a terra onde os túmulos são coisas desconhecidas, onde jamais se vê uma mortalha, e o som da enxada e da pá jamais se ouve; ides para a casa do vosso Pai na terra dos imortais, no país do além, no lar dos bem-aventurados, na habitação de Deus Altíssimo, na Jerusalém que é de cima, a mãe de todos nós. Não é esta a vossa maior alegria, que não haveis de estar aqui para sempre, que não haveis de habitar eternamente neste deserto, mas em breve herdareis Canaã? Com todo o povo de Deus, o pior sofrimento é o pecado. Não me importaria com nenhuma dor, se pudesse viver sem pecar. Oh! se estivesse livre dos apetites da carne e das suas concupiscências, e dos desejos que continuamente se desviam, ficaria satisfeito em jazer num calabouço e apodrecer lá, desde que fosse livre da corrupção do pecado. Mas, irmãos, em breve atingiremos a perfeição. O corpo desta morte morrerá com este corpo.

Não há tentação no céu, pois o cão do inferno jamais pode cruzar o rio da morte; não há corrupções ali, pois lavaram as suas vestes e as tornaram brancas no sangue do Cordeiro; de modo nenhum entrará naquele reino coisa alguma que manche.

Parece-me que, ao ouvir o jubiloso canto dos glorificados esta manhã, ao apanhar flutuando do céu o som daquela música que é como muitas águas e como o grande trovão, e ao ouvir a harmonia daquelas notas que são doces como harpistas tocando as suas harpas, a minha alma deseja esticar as suas asas e voar direto para aqueles mundos de alegria. Sei que é assim convosco, meus irmãos na tribulação de Cristo — ao enxugardes o suor da fronte, não é este o consolo: há descanso para o povo de Deus? Ao resistirdes à tentação e sofrendo por amor de Cristo, não é este o vosso consolo: "Se sofremos com ele, também com ele reinaremos"? Quando sois caluniados e desprezados pelos homens, não é esta a vossa esperança: "Ele se lembrará de mim quando vier ao seu reino. Sentarei no seu trono, assim como ele venceu e se assentou no trono do seu Pai"? Oh! sim, esta é a música a que os cristãos dançam; este é o vinho que alegra os seus corações; este é o banquete em que se festejam. Há outra e melhor terra, e nós, embora durmamos com os torrões do vale, veremos a Deus em nossa carne, quando o nosso Redentor se erguer nos últimos dias sobre a terra. Julgo que compreendeis o meu intento — não somos os mais miseráveis de todos os homens; à parte da esperança futura o seríamos, pois a nossa esperança em Cristo para o futuro é o amparo principal da nossa alegria.

IV. O FUTURO OPERA SOBRE O PRESENTE

Ora, queridos amigos, isto me leva a uma observação prática em quarto lugar, que é que ASSIM O FUTURO OPERA SOBRE O PRESENTE.

Há algum tempo tive uma conversa com um homem muito eminente, cuja fama é familiar a todos vós, mas cujo nome não me sinto justificado em mencionar, que foi outrora um crente professo, mas que agora está cheio de ceticismo. Disse-me no curso do nosso argumento: "Que tolo que sois, vós e toda a companhia de pregadores. Dizeis às pessoas que pensem no próximo mundo, quando a melhor coisa que poderiam fazer seria comportar-se tão bem quanto possível neste!" Concedi a verdade da observação; seria muito imprudente fazer as pessoas negligenciar o presente, pois ele é de exceedente grande importância, mas passei a mostrar-lhe que o melhor método para fazer as pessoas atentar ao presente era imprimindo-lhes motivos altos e nobres com relação ao futuro. A força potente do mundo por vir nos supre, pelo Espírito Santo, com força para o cumprimento adequado dos deveres desta vida. Eis um homem que tem uma máquina para a fabricação de ferragens. Quer força de vapor para fazer funcionar esta máquina. Um engenheiro instala uma máquina a vapor num galpão a uma distância considerável. "Bem", diz o outro, "pedi-vos que trouxésseis força de vapor aqui, para operar na minha máquina." "É precisamente", diz ele, "o que fiz. Coloquei a máquina a vapor ali; basta conectá-la por uma correia e a vossa máquina funciona tão rápido quanto quiserdes; não é necessário que eu ponha a caldeira, e o fogo, e o motor bem perto do trabalho, bem debaixo do vosso nariz: basta conectar os dois, e um operará sobre o outro." Assim Deus se agradou de fazer as nossas esperanças do futuro um grande motor com o qual o cristão pode fazer funcionar a máquina ordinária do cotidiano, pois a correia da fé conecta os dois e faz todas as rodas da vida ordinária girar com rapidez e regularidade. Falar contra a pregação do futuro como se fosse fazer as pessoas negligenciar o presente é absurdo. É como se alguém dissesse: "Tirai a lua, e apagai o sol. Que utilidade têm eles — não estão neste mundo?" Precisamente, mas tirai a lua e tereis removido as marés, e o mar torna-se uma poça estagnada e putrefata. Tirai então o sol — não está no mundo — tirai-o, e a luz, o calor e a vida; tudo está perdido.

O que o sol e a lua são para este mundo natural, a esperança do futuro é para o cristão neste mundo. É a sua luz — ele olha para todas as coisas nessa luz, e as vê verdadeiramente. É o seu calor; dá-lhe zelo e energia. É a sua própria vida: o seu cristianismo, a sua virtude expirariam se não fosse pela esperança do mundo por vir. Acreditais, meus irmãos, que os apóstolos e os mártires teriam jamais sacrificado as suas vidas por amor da verdade se não tivessem esperança de um além? No calor da excitação, o soldado pode morrer pela honra, mas morrer em torturas e escárnios a sangue frio exige esperança além do túmulo. Iria aquele homem pobre trabalhando ano após ano, recusando-se a sacrificar a sua consciência em troca de ganho; iria aquela pobre rapariga recusar-se a tornar-se escrava da concupiscência se não visse algo mais brilhante do que a terra pode lhe oferecer como recompensa do pecado? Ó meus irmãos, a coisa mais prática de todo o mundo é a esperança do mundo por vir; e vedes que o texto ensina isto, pois é justamente isto que nos impede de ser miseráveis; e impedir um homem de ser miserável, deixai-me dizer, é fazer uma grande coisa por ele, pois um cristão miserável — que proveito tem ele?

Guardai-o num armário, onde ninguém o possa ver; tratai-o no hospital, pois não tem utilidade no campo de trabalho. Construí um mosteiro, e ponde lá todos os cristãos miseráveis, e deixai-os meditar na misericórdia até aprenderem a sorrir; pois na verdade não há outro uso para eles no mundo. Mas o homem que tem esperança do próximo mundo vai ao seu trabalho forte, pois a alegria do Senhor é a nossa força. Vai contra a tentação poderoso, pois a esperança do próximo mundo repele os dardos ardentes do adversário. Pode trabalhar sem recompensa presente, pois aguarda uma recompensa no mundo por vir. Pode suportar a reprovação e pode dar-se ao luxo de morrer como homem caluniado, porque sabe que Deus vingará os seus eleitos que clamam a ele dia e noite. Pelo Espírito de Deus, a esperança de outro mundo é a força mais potente para a produção da virtude; é uma fonte de alegria; é o próprio canal da utilidade. É para o cristão o que o alimento é para a força vital no organismo animal. Diga-se de qualquer de nós que estamos sonhando com o futuro e esquecendo o presente; mas que o futuro santifique o presente para os usos mais elevados. Temo que os nossos irmãos proféticos errem aqui. Estão lendo continuamente sobre as últimas taças, as setenta semanas de Daniel e vários outros mistérios; gostaria que trabalhassem em vez de especular tanto, ou que especulassem ainda mais se quiserem, mas que convertessem as suas profecias em proveito prático presente.

As especulações proféticas muitas vezes levam os homens a se afastar do dever urgente presente, e especialmente de contender fervorosamente pela fé que uma vez foi entregue aos santos; mas uma esperança do mundo por vir é, penso eu, o melhor poder prático que um cristão pode ter.

V. O QUE SERÁ O NOSSO FUTURO

E agora, para concluir, isto nos permitirá ver muito claramente O QUE SERÁ O NOSSO FUTURO.

Há algumas pessoas aqui às quais o meu texto absolutamente nada tem a dizer. Supondo que não houvesse além, seriam elas mais miseráveis? Não; seriam mais felizes. Se alguém pudesse provar-lhes que a morte é um sono eterno, seria a maior consolação que poderiam possivelmente receber. Se pudesse ser demonstrado, de modo conclusivo, que logo que as pessoas morrem apodrecem no túmulo e aí acaba tudo — por que alguns de vós poderiam ir deitar à noite descansados, a vossa consciência jamais vos perturbaria, não seríeis molestados por nenhum daqueles temores terríveis que agora vos assombram. Vedes, então, que isto prova que não sois cristão; isto prova tão claramente quanto dois mais dois são quatro, que não sois crente em Cristo; pois se fostes, a supressão de um além vos tornaria miserável. Já que não tenderia a tornar-vos feliz crer num estado futuro, isto prova que não sois crente em Cristo.

Pois bem, o que vos direi? Justamente isto — que no mundo por vir sereis os mais miseráveis de todos os homens. "O que será de vós?", disse certa vez um incrédulo a um cristão, "supondo que não houvesse céu?" "Bem", disse ele, "gosto de ter duas cordas no meu arco. Se não há além, estou tão bem quanto vós; se há, estou infinitamente melhor. Mas onde estais vós? Onde estais?" Então devemos ler este texto no futuro — "Se nesta vida há de fato esperança de uma vida por vir, então sereis no próximo mundo os mais miseráveis de todos os homens." Vedes onde estareis? A vossa alma vai perante o grande Juiz, e recebe a sua condenação e começa o seu inferno. A trombeta toca; o céu e a terra ficam atônitos; o túmulo se agita; aquela laje de mármore é levantada, e vós ressurgis naquela mesma carne e sangue em que pecastes, e ali estais no meio de uma multidão aterrorizada, todos reunidos para o seu destino.

O Juiz chegou. O grande assizes começou. Ali no grande trono branco senta-se o Salvador que uma vez disse: "Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos darei descanso"; mas agora senta-se ali como Juiz e abre com mão severa o terrível volume. Página após página ele lê, e ao ler dá o sinal: "Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno", e os anjos atam o joio em molhos para queimá-lo. Ali estais vós, e conheceis o vosso destino; já começais a senti-lo. Clamareis aos altivos Alpes que caiam sobre vós e vos ocultem. "Ó montanhas, não podeis encontrar nas vossas entranhas rochosas alguma amigável caverna onde eu possa ser escondido da face daquele que se senta no trono?" Em terrível silêncio as montanhas recusam a vossa petição e as rochas rejeitam o vosso clamor. Quereis mergulhar no mar, mas ele é lambido por línguas de fogo; desejais fazer a vossa cama mesmo no inferno se pudésseis escapar daqueles olhos terríveis, mas não podeis; pois agora chegou a vossa vez, aquela página está virada que regista a vossa história; o Salvador lê com voz de trovão e com olhos de relâmpago. Ele lê, e ao agitar a mão sois lançados fora da esperança. Sabereis então o que é ser o mais miserável de todos os homens. Tivestes o vosso prazer; tivestes a vossa hora leviana; tivestes os vossos momentos de alegria; desprezastes Cristo, e não quisestes atender ao seu chamado; não o quisestes reinar sobre vós; vivestes como seu adversário; morrestes não reconciliados, e agora onde estais? Agora, o que fareis, vós que esqueceis a Deus, naquele dia em que ele vos despedaçará, e não haverá quem vos libre? Em nome do meu Senhor e Mestre, conjuro-vos, fugi a Cristo para encontrar refúgio. "Aquele que crê nele será salvo." Crer é confiar; e todo aquele que esta manhã for habilitado pela fé a lançar-se sobre Cristo não precisa temer viver, nem temer morrer. Não sereis miseráveis aqui; sereis três vezes abençoados no além se confiardes no meu Senhor.

"Vinde, almas culpadas, e fugi
A Cristo, e curai as vossas feridas;
Este é o bem-vindo dia do evangelho
Em que a graça livre abunda."

Oh! que fôsseis sábios e considerásseis o vosso fim último! Oh! que refletísseis que esta vida não é mais que um palmo, e a vida por vir dura para sempre! Não desperdiceis, rogo-vos, a eternidade; não vos torneis loucos com coisas tão solenes como estas, mas com sinceridade e seriedade agarrai a vida eterna. Olhai para o Salvador sangrento; vede ali as suas cinco chagas, e o seu rosto banhado em suor de sangue! Confiai nele, confiai nele, e sereis salvos. No momento em que confiardes nele, os vossos pecados se foram. A sua justiça é vossa; sois salvos no ato, e sereis salvos quando ele vier em seu reino para ressuscitar os mortos dos seus túmulos. Oh! que o Senhor nos levasse a todos assim a descansar em Jesus, agora e sempre.

Amém.

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