É notável que homens bons frequentemente descobrem seu dever quando colocados nas situações mais humilhantes. Nunca na vida de Davi ele se encontrou em uma situação pior do que aquela que o motivou a escrever este Salmo. É, como podeis ler no começo: "Salmo de Davi, quando fingiu insanidade diante de Abimeleque, que o expulsou, e ele se foi".
Davi foi levado à presença do rei Aquis, o Abimeleque da Filisteia, e a fim de fazer sua fuga, fingiu estar louco, agindo de maneiras muito degradantes que facilmente davam a impressão de que havia perdido completamente a razão. Ele foi expulso do palácio, e como é comum quando tais homens estão na rua, um número de crianças se reuniu ao seu redor.
Mais tarde, quando cantou cânticos de louvor a Deus, lembrando-se de como havia se tornado objeto de zombaria das crianças pequenas, pareceu dizer: "Fiz com que as gerações futuras pensassem menos em mim por causa de minha insensatez nas ruas diante das crianças; agora me empenharei em reparar o mal. Vinde, filhos meus, ouvi-me; eu vos ensinarei o temor do SENHOR".
É muito possível que, se Davi nunca tivesse se encontrado em tal situação, nunca tivesse pensado nesta tarefa; pois não descubro em nenhum outro Salmo que Davi tenha dito: "Vinde, filhos meus, ouvi-me".
Ele tinha as preocupações das cidades e de sua nação pesando sobre ele, e prestava muito pouca atenção à educação da juventude; mas aqui, sendo colocado na posição mais difícil em que um homem poderia estar, agindo como um homem sem razão, lembrou-se de sua responsabilidade. O cristão exaltado ou rico nem sempre se lembra de sua responsabilidade para com os pequeninos.
Afastando-me, porém, deste pensamento, deixai-me me dirigir ao texto: "Vinde, filhos meus, ouvi-me; eu vos ensinarei o temor do SENHOR".
Hoje dividi o sermão em cinco segmentos: 1. Darei um Ensinamento 2. Darei dois Encorajamentos 3. Darei três Advertências 4. Darei quatro Instruções 5. Darei cinco Temas de Lições para Crianças. E todos estes serão tirados de nosso texto.
"Vinde, filhos meus, ouvi-me; eu vos ensinarei o temor do SENHOR".
O ensinamento é que crianças são capazes de serem ensinadas no temor do SENHOR.
Comumente, os homens são os mais sábios depois de terem sido os mais insensatos.
Davi havia sido extremamente insensato, e agora havia se tornado extremamente sábio; e sendo assim, era improvável que fosse pronunciar opiniões insensatas ou dar o tipo de orientação que seria ditado por uma mente fraca.
Ouvimos alguns dizer que crianças não conseguem compreender os grandes mistérios do cristianismo. Conhecemos até alguns mestres de Escola Dominical que cuidadosamente evitam mencionar as grandes doutrinas do evangelho, porque pensam que as crianças não estão preparadas para recebê-las. O mesmo erro se infiltrou no púlpito, pois acredita-se atualmente entre um certo grupo de pregadores que muitas das doutrinas da Palavra de Deus, embora verdadeiras, não são adequadas para serem ensinadas ao povo, pois as distorceriam para sua própria ruína. Afastemos tais ideias, pois este é um dos erros da Igreja Católica Romana.
Tudo que meu Deus revelou deve ser pregado. Tudo que Ele revelou, se não sou capaz de compreender, continuarei acreditando e pregando. Estou convencido de que não há doutrina da Palavra de Deus que uma criança, se for capaz de salvação, não seja capaz de receber. Eu teria crianças ensinadas em todas as grandes doutrinas da verdade sem uma única exceção, para que em vida posterior as mantenham firmemente. Posso testemunhar que crianças conseguem compreender as Escrituras, pois tenho certeza de que quando criança teria podido discutir muitos pontos complicados de teologia controversa, tendo ouvido ambos os lados da questão livremente expostos entre o círculo de amigos de meu pai. De fato, as crianças são capazes de compreender algumas coisas na infância, que podemos dificilmente compreender em nossos anos posteriores.
As crianças possuem uma simplicidade de fé. Simplicidade é análoga ao conhecimento mais elevado; de fato, muitos de nós não sabemos que há pouca diferença entre a simplicidade de uma criança e o gênio de uma mente profunda.
Quem recebe as coisas simplesmente, como uma criança, frequentemente terá ideias que o homem propenso ao raciocínio dedutivo nunca poderia descobrir.
Se desejais saber se crianças podem ser ensinadas, vos aponto a muitas em nossas igrejas, e em famílias piedosas — não gênios, mas crianças mais comuns — os Timóteos e Samuéis, e pequenas meninas também, que chegaram a conhecer o amor de um Salvador. Assim que uma criança é capaz de ser condenada, é capaz de ser salva. Assim que uma criança consegue pecar, essa criança consegue, se a graça de Deus a ajudar, crer e receber a Palavra de Deus. Assim que as crianças conseguem aprender o mal, tende certeza de que são capazes, sob o ensino do Espírito Santo, de aprender o bem.
Nunca vou à sua classe da Escola Dominical com o pensamento de que as crianças não conseguem compreendê-lo; pois se não as fizerem compreender, é porque vós mesmos não compreendeis; se não ensinais às crianças o que desejais, é porque não sois apropriados para a tarefa: devíeis usar palavras mais simples mais adequadas à sua capacidade, e então descobriríeis que não era culpa da criança, mas culpa do mestre, se ela não aprendesse. Acredito que as crianças são capazes de salvação. Aquele que na soberania divina redime o pecador encanecido do erro de seus caminhos consegue afastar uma criança pequena de suas concupiscências juvenis. Aquele que na décima primeira hora encontra alguns ociosos na praça do mercado, e os envia para a vinha, consegue chamar homens ao amanhecer do dia para trabalhar por Ele.
Aquele que consegue mudar o curso do rio quando ele rolou para frente e se tornou uma enchente poderosa, consegue controlar um rio recém-nascido saltando de seu berço da fonte, e fazê-lo correr no canal que Ele deseja. Ele consegue fazer todas as coisas; Ele consegue trabalhar nos corações das crianças como lhe agrada, pois todos estão sob Seu controle.
Não vou deter-me para estabelecer a doutrina, porque não considero nenhum de vós tão insensatos a ponto de duvidar dela. Mas embora creiais, temo que muitos de vós não esperem ouvir crianças sendo salvas. Em todas as igrejas notei uma espécie de aversão a qualquer coisa como piedade da infância precoce. Temos medo da ideia de um menino pequeno amar a Cristo; e se ouvimos de uma menina pequena seguindo o Salvador, dizemos que é uma fantasia juvenil, uma impressão precoce que desaparecerá. Meus queridos amigos, peço-vos nunca tratar a piedade de uma criança pequena com suspeita. É uma planta delicada — não a danifiqueis.
Ouvi falar de uma história há algum tempo, que acredito ser completamente verdadeira. Uma querida menininha, de uns cinco ou seis anos de idade, verdadeira amadora de Jesus, solicitou à sua mãe que pudesse juntar-se à igreja. A mãe disse-lhe que era muito jovem. A pobre criancinha ficou severamente afligida; e depois de um tempo a mãe, que viu que a piedade estava no coração da menininha, falou com o ministro sobre o assunto. O ministro conversou com a criança, e disse à mãe: "Estou plenamente convencido de sua salvação e piedade, mas não posso aceitá-la na igreja, porque é muito jovem". Quando a criança ouviu isso, uma tristeza estranha passou por seu rosto; e na manhã seguinte, quando sua mãe foi ao seu pequeno leito, viu a menininha deitada ali com uma ou duas lágrimas perladas em cada olho, morta de sua tristeza; seu coração estava partido, porque não conseguia seguir seu Salvador, e fazer o que Ele lhe havia ordenado.
Não teria matado essa criança por todo o mundo! Cuidado com a maneira como tratais a devoção jovem a Cristo. Tratai-a muito ternamente. Acreditar que crianças conseguem ser salvas assim como vós mesmos. Quando virdes o coração jovem trazido ao Salvador, não fiqueis ao lado falando duramente, desconfiando de tudo. É melhor às vezes ser enganado do que ser aquele que causa ruína a uma criança pequena. Que Deus envie ao Seu povo uma crença mais firme de que pequenos brotos de graça são dignos de todo nosso cuidado.
Agora, em segundo lugar, vou-vos dar dois encorajamentos, ambos os quais encontrareis no texto.
O primeiro é o do exemplo piedoso. Davi disse: "Vinde, filhos meus, ouvi-me; eu vos ensinarei o temor do SENHOR". Não vos envergonhais de caminhar nos passos de Davi, vós? Não vos oporeis a seguir o exemplo de alguém que foi primeiro notavelmente santo, e depois notavelmente grande.
Pode o menino pastor, o matador de gigantes, o salmista de Israel e o rei, caminhar em passos que sois demasiado orgulhosos para seguir? Ah! não; ficareis felizes, tenho certeza, em ser como Davi era. Se quereis, porém, um exemplo ainda maior que o de Davi, escutai o Filho de Davi enquanto de seus lábios fluem as doces palavras: "Deixai vir a mim as criancinhas, e não as impeçais; porque delas é o reino dos céus". Tenho certeza que vos encorajaria se sempre pensásseis nestes exemplos.
Vós ensinais crianças — não sois desonrados por isso. Alguns dizem que não sois nada além de um mestre da Escola Dominical, mas sois uma pessoa nobre, tendo um ofício honrado, e tendo predecessores ilustres. Amamos ver pessoas de alguma posição na sociedade tomar interesse em Escolas Dominicais.
Uma grande falha em muitas de nossas igrejas é que as crianças são deixadas aos jovens para cuidarem — os membros mais antigos, que têm mais sabedoria, prestam muito pouca atenção a elas; e muito frequentemente os membros mais ricos da igreja ficam de lado como se o ensino dos pobres não fosse (como de fato é) o negócio especial dos ricos.
Espero pelo dia quando os poderosos homens de Israel serão encontrados ajudando nesta grande guerra contra o inimigo. Nos Estados Unidos ouvimos falar de presidentes, de juízes, membros do Congresso, e pessoas nos cargos mais altos — não se condescendendo, pois odeio usar tal termo, mas honrando-se a si mesmos ensinando crianças pequenas na Escola Dominical. Aquele que ensina uma classe na Escola Dominical conquistou um bom grau. Teria preferido receber o título de M.E.D., do que M.A., B.A., ou qualquer outra honra que fosse conferida. Deixai-me suplicar-vos então que tenhais ânimo, porque vossas tarefas são tão honradas. Deixai o exemplo real de Davi, deixai o nobre, o piedoso exemplo de Jesus Cristo vos inspirar com diligência fresca e amor crescente, com perseverança confiante e duradoura, ainda ir adiante em vosso trabalho poderoso, dizendo, como Davi fez: "Vinde, filhos meus, ouvi-me; eu vos ensinarei o temor do SENHOR".
O segundo encorajamento que vou-vos dar é o do grande sucesso. Davi disse: "Vinde, filhos meus, ouvi-me;" não acrescentou: "Talvez eu vos ensine o temor do SENHOR" mas "Eu vos ensinarei". Ele teve sucesso; ou se não tivera, outros tiveram. O sucesso das Escolas Dominicais!
Se começar a falar disso, terei um tema interminável; portanto não começarei. Muitos livros poderiam ser escritos sobre ele, e então quando todos fossem escritos, poderia dizer: "Suponho que ainda mesmo o próprio mundo não conseguisse conter tudo que poderia ser escrito".
Lá em cima onde os exércitos estelares perpetuamente cantam seu alto louvor — lá onde os santos remidos, vestidos em vestes brancas, continuamente atiram suas coroas aos pés Dele — podemos contemplar o sucesso das Escolas Dominicais.
Ali também, onde as vozes daqueles levados cedo ao céu em suas vidas jovens, reunem-se domingo após domingo, para cantar: "Suave Jesus, manso e brando," vemos com alegria o sucesso das Escolas Dominicais. E em quase todos os púlpitos de nossa terra, e ali nos bancos onde os diáconos se sentam, e membros piedosos se unem na adoração — ali está o sucesso das Escolas Dominicais.
E muito através do amplo oceano nas ilhas do sul, em terras onde aqueles que vivem se inclinam diante de blocos de madeira e pedra — ali estão os missionários salvos pelas Escolas Dominicais, cujos milhares, remidos por seus labores, contribuem para aumentar o poderoso fluxo do sucesso tremendo, incalculável, quase que infinito da instrução da Escola Dominical. Adiante! adiante!
Tanto já foi feito; mais será feito. Deixai todas as vossas vitórias passadas inflamarem-vos com amor; deixai a lembrança de campanhas de triunfo, e de campos de batalha, conquistados para vosso Salvador nos reinos da salvação e da paz, serem vosso encorajamento para dever fresco.
Agora, em terceiro lugar, dou-vos três advertências.
A primeira é: lembrai-vos de quem estais ensinando. "Vinde, filhos meus".
Penso que devemos sempre ter respeito por nossa audiência.
Não esse tipo de respeito que nos preocupamos em estar pregando para o Sr. Fulano, ou para Sir William Isto, ou para o Honrado Sr. Aquilo — porque aos olhos de Deus título e posição é pequena questão; mas devemos lembrar que estamos pregando a homens e mulheres que têm almas, de modo que não devemos desperdiçar seu tempo com coisas que não merecem ser ouvidas. Mas quando ensinais nas Escolas Dominicais, estais, se é possível, em uma situação ainda mais responsável que um ministro.
Ministros pregam para pessoas adultas — homens de julgamento, que, se não gostam do que ele prega, têm a opção de ir a outro lugar; vós ensinais crianças que não têm opção de ir a outro lugar. Se ensinais errado à criança, ela vos acredita; se a ensinais heresias, ela as receberá; o que ensinais a ela agora, ela nunca esquecerá. Não estais semeando, como alguns dizem, em solo virgem, pois há muito foi ocupado pelo diabo; mas estais semeando em solo mais fértil do que jamais será — que produzirá muito melhor fruto agora do que fará nos anos posteriores de sua vida; estais semeando em um coração jovem, e o que semeardes será bem provável de permanecer ali, especialmente se ensinais maldade, pois isso nunca será esquecido.
Estais começando com a criança; cuidado com o que fazeis com ela. Não a estragueis. Muita criança foi tratada como as crianças índias, que tinham placas de cobre presa em suas testas, para que nunca crescessem.
Há muitos que sabem ser analfabetos agora, justamente porque aqueles que tiveram cuidado deles quando pequenos não lhes deram oportunidades de obter conhecimento, de modo que quando ficaram velhos não se importavam com ele. Cuidado especial com o que estais fazendo; estais ensinando crianças; sede muito mindful do que estais realizando. Ponde veneno na fonte, e contaminará todo o fluxo.
Cuidado especial com o que estais tentando conseguir, senhor! Estais torcendo a muda, e o carvalho velho será portanto curvado. Tende cuidado!
É uma alma de criança com a qual estais mexendo, se estais mexendo com algo; é uma alma de criança que estais preparando para a eternidade, se Deus está convosco. Dou-vos uma advertência solene em nome de cada criança. Certamente, se é traição administrar veneno aos moribundos, deve ser muito mais criminoso dar veneno à vida jovem. Se é maldade enganar aqueles que são grisalhos, deve ser muito mais so desviarem o coração jovem para uma estrada de erro na qual ele pode caminhar para sempre. Sim! é uma advertência solene — estais ensinando crianças.
A segunda advertência é: lembrai-vos de que estais ensinando para Deus. "Vinde, filhos meus, ouvi-me; eu vos ensinarei o temor do SENHOR".
Se vós, como mestres, estivésseis apenas reunidos para ensinar geografia, tenho certeza que não interviria se dissésseis às crianças que o pólo norte ficava próximo ao equador; se fôsseis dizer que a extremidade da América do Sul ficava bem perto da costa da Europa;
Eu sorreria do vosso erro.
E talvez até mantivesse que era uma brincadeira, se vos ouvisse assegurar que a Inglaterra ficava no meio da África. Mas vós não estais ensinando geografia ou astronomia, nem estais ensinando para negócios ou para o mundo; mas estais ensinando-as, do melhor de vossas habilidades, para Deus.
Vós dizeis a elas: "Crianças, vós vinde aqui para ser ensinadas na Palavra de Deus; vinde aqui, se é possível, para que possamos ser os meios de salvar vossas almas". Cuidado com o que estais fazendo quando pretendeis ensiná-las para Deus. Ferirem a mão da criança se quiserdes, mas, pelo bem de Deus, não toqueis em seu coração. Dizei o que quiserdes sobre assuntos terrenos, mas vos suplico, em assuntos espirituais, sede cuidadosos como o guiais. Oh! sede cuidadoso que é a verdade que transmitis, e somente isso. E agora como sua obra se torna solene! Aquele que está fazendo uma obra para si mesmo, que a faça como lhe agrada; mas aquele que está trabalhando para outro, que seja cuidadoso em como faz seu trabalho; aquele que agora é empregado por um governador, que tenha cuidado de como cumpre seu dever; mas aquele que trabalha para Deus, que trema ao pensamento de fazer trabalho descuidado! Lembrai-vos que estais trabalhando para Deus. Digo isto, porque vós vos professais ser Seus servos. Temo que muitos entre vós, estais muito distantes de ter esta visão da questão.
A terceira advertência é — lembrai-vos de que vossas crianças precisam de ensino. O texto implica isso, quando diz: "Vinde, filhos meus, ouvi-me; eu vos ensinarei o temor do SENHOR".
Isso torna vosso trabalho tudo mais solene. Se as crianças não precisassem de ensino, não seria tão extremamente ansioso que ensinásseis corretamente; pois obras que não são necessárias, homens podem fazer como lhes agrada. Mas aqui o trabalho é necessário. Vossa criança precisa de ensino! Ela nasceu em pecado; em pecado sua mãe a concebeu. Ela tem um coração maligno; ela não conhece Deus, e nunca conhecerá a menos que seja ensinada. Ela não é como alguns solo do qual ouvimos dizer que tem boa semente escondida bem em seu muito coração; mas em seu lugar ela tem semente má dentro de seu coração. Deus consegue pôr boa semente ali. Vós vos professais ser o instrumento de Deus para semear semente sobre o coração daquela criança; lembrai-vos, se aquela semente não for semeada, ela será perdida para sempre, sua vida será uma vida de alienação de Deus, e em sua morte, será lançada ao fogo eterno.
Sede cuidadoso, então, como ensinais, lembrando-vos da urgente necessidade da situação. Isto não é uma casa em fogo precisando de vossa assistência com uma mangueira de fogo, nem é um acidente no mar, exigindo vosso remo no bote de salvação, mas é um espírito eterno chamando alto para vós: "Vinde ajudai-nos". Suplico-vos, ensinai "o temor do SENHOR," e somente isso; sede muito ansioso para dizer, e dizer verdadeiramente: "Eu vos ensinarei o temor do SENHOR".
Isso me traz, em quarto lugar, a QUATRO INSTRUÇÕES, e todas estão no texto.
A primeira é — "Levai as crianças a vir à vossa Escola Dominical". "Vinde, filhos meus".
A grande reclamação de alguns é que não conseguem levar crianças. Ide e levai-as a vir. Em Londres estamos canvassando a cidade; essa é uma boa ideia, e devíeis canvass cada aldeia, e cada cidade, e conseguir cada criança que consigais; pois Davi diz: "Vinde, filhos meus". Meu conselho, então, é conseguir as crianças vir, e fazer qualquer coisa para que aconteça. Não as suborneis — esse é o único plano que objetamos; é apenas adotado em Escolas Dominicais de ordem mais baixa; Escolas Dominicais tão más que até os pais e mães das crianças têm muito senso para enviá-las. Mas, exceto por isso, não sejais muito particulares em como conseguis as crianças à escola.
Por quê, se eu conseguisse apenas levar pessoas a vir ao meu lugar pregando em um casaco preto, eu teria um smoking amanhã. Eu teria uma congregação de alguma forma. Melhor fazer coisas estranhas do que ter uma capela vazia, ou uma sala de aula vazia. Quando estava na Escócia, enviamos um de nossos trabalhadores por uma aldeia para conseguir uma audiência, e seus esforços foram eminentemente bem-sucedidos. Não poupai os meios. Ide e consegui as crianças dentro.
Conheço ministros que saíram pelas ruas no domingo à tarde, e falaram com as crianças que estavam brincando na rua, a fim de induzi-las a vir à escola. Isto é o que um mestre sincero fará. Ele dirá: "Vinde à nossa escola; não conseguis acreditar em que escola tão legal é".
Depois ele consegue as crianças dentro, e de sua maneira gentil e vencedora, ele contar-lhes algumas histórias e anedotas sobre meninas e meninos, e assim por diante. E dessa forma a escola é preenchida. Ide e apanhá-las de qualquer forma possível. Não há lei contra isso. Vós conseguis fazer o que quiserdes em batalha. Tudo é justo contra o diabo. Minha primeira instrução, então, é conseguir crianças, e consegui-las de qualquer forma possível.
A próxima instrução é: "Levai as crianças a vos amar", se conseguirdes. Isso também está no texto. "Vinde, filhos meus, ouvi-me".
Vós sabeis como costumávamos ser ensinados em nossas escolas privadas, como ficávamos em pé com as mãos atrás de nós para repetir nossas lições. Esse não era o plano de Davi. "Vinde, filhos meus — vinde aqui, e sentai-vos no meu colo". "Oh!" pensa a criança, "como é legal ter tal mestre! Um mestre que vai deixar-me chegar perto dele, um mestre que não diz 'vai-te' mas 'vinde'. A falha de muitos mestres é que não deixam suas crianças perto deles, mas se empenham em fomentar uma espécie de respeito terrível. Antes que conseguis ensinar crianças, deveis conseguir a chave prateada da bondade para desbloquear seus corações, e obter sua atenção. Dizei: "Vinde, filhos meus".
Conhecemos alguns homens bons que são objetos de ódio para as crianças.
Vós vos lembrais da história de dois meninhos que uma vez foram perguntados se gostariam de ir ao céu, e que, muito para o assombro de seu mestre, disseram que realmente não gostariam. Quando perguntados "por quê", um deles disse: "Eu não gostaria de ir ao céu porque o vovô estaria lá, e teria certeza de dizer: 'saiam daqui meninos, saiam daqui meninos'. Eu não gostaria de estar lá com vovô".
Se um menino tem um mestre que sempre usa uma expressão azeda, mas que lhe fala sobre Jesus, o que o menino pensa? "Pergunto-me se Jesus era como você; se era, eu não gostaria muito dele". Depois há outro mestre que, se é provocado nem um pouco, bate na criança; e ao mesmo tempo a ensina que deve perdoar outros, e como deve ser gentil. "Bem," pensa a criança, "isso é sem dúvida a maneira de ser, mas meu mestre não me mostra como fazer isso". Se afastais um menino de vós, vosso poder desapareceu, pois não conseguirei ensiná-lo nada. É perda de tempo tentar ensinar aqueles que não vos amam. Tende e faze-os amar-vos, e então aprenderão qualquer coisa de vós.
A próxima instrução é: "Obtenhad a atenção das crianças". Isso está no texto: "Vinde, filhos meus, ouvi-me".
Se não ouçam, vós conseguis falar, mas desperdiçareis vossas palavras. Se não ouçam, vós passais através de vossos trabalhos como escravidão sem significado para vós e seus estudantes também. Não conseguis fazer nada sem assegurar sua atenção. "Isso é justamente o que eu não consigo fazer," diz um.
Bem, isso depende de vós. Se vos dais algo que valha a pena ouvir, eles terão certeza de ouvir. Dai-lhes algo que valha a pena ouvir, e eles certamente ouvirão. Esta regra pode não ser universal, mas é muito próxima disso.
Não esquecei de lhes dar algumas histórias da vida real. Histórias e Ilustrações são muito objetadas por críticos de sermões, que dizem que não deviam ser usadas no púlpito. Mas alguns de nós sabemos melhor que isso; sabemos o que despertará uma congregação; podemos falar da experiência, que algumas boas ilustrações aqui e ali são primeiras coisas de classe para obter a atenção de pessoas que não vão ouvir doutrina seca.
Tentai aprender o máximo de histórias curtas e interessantes possível, na semana bem antes da classe. Onde quer que vós vos vades, se sois realmente um bom mestre, vós conseguis sempre encontrar algo para fazer em uma história para contar às vossas crianças.
Depois, quando vossa classe fica monótona, e não conseguis sua atenção, dizei a elas: "Vós conheceis um 'tal-e-tal' lugar no centro?" e depois elas todas abrem os olhos de uma vez, se há tal lugar na cidade; ou, apenas dizei-lhes algo que possais ter lido ou ouvido bem para assegurar sua atenção.
Uma querida criança uma vez disse: "Pai, eu gosto de ouvir o Sr. Fulano pregar, porque ele coloca alguns 'coisas tipo' em seu sermão — 'coisa tipo isto, e coisa tipo aquilo'. Sim, as crianças sempre amam aquele tipo de 'coisa tipo'. Fazei parábolas, figuras, imagens para eles, e vós conseguis sempre sua atenção. Tenho certeza que se eu fosse um menino ouvindo alguns de vós, a menos que contar uma história de vez em quando, vós conseguiríeis tão frequentemente ver a parte de trás de minha cabeça quanto meu rosto; e não sei, se eu me sentasse em uma sala de aula quente, mas que minha cabeça dobrasse, e eu deveria adormecer, ou estar brincando com Tom na minha esquerda, e fazer coisas tão estranhas quanto o resto, se não vos esforçásseis para me interessar. Lembrai-vos para fazê-los ouvir.
A quarta instrução é: "Cuidai com o que ensinais às crianças". "Vinde, filhos meus, ouvi-me; eu vos ensinarei o temor do SENHOR".
Não para vos cansar, porém, apenas dou um indício disso, e sigo adiante.
Em quinto lugar, dou-vos CINCO TEMAS PARA ENSINAR VOSSAS CRIANÇAS — cinco assuntos para ensinar-lhes — e estes vós encontrareis nos versos seguintes ao texto: 1. "Vinde, filhos meus, ouvi-me; eu vos ensinarei o temor do SENHOR".
A primeira coisa a ensinar é "moralidade". "Aquele dentre vós que ama a vida e deseja ver dias bons, guarde a sua língua do mal e os seus lábios de fazerem engano. Aparte-se do mal e faça o bem; busque a paz e siga-a." 2. A segunda é "piedade, e uma crença constante na supervisão de Deus". "Os olhos do SENHOR estão sobre os justos, e os seus ouvidos atentos ao seu clamor." 3. A terceira coisa é "o mal do pecado:" "O rosto do SENHOR está contra os que praticam o mal, para eliminar da terra a lembrança deles. O justo clama, e o SENHOR o ouve, e o livra de todas as suas angústias." 4. A quarta coisa é "a necessidade de um coração quebrantado:" "O SENHOR está perto dos que têm o coração quebrantado e salva os de espírito contrito." 5. A quinta coisa é "a inestimável bem-aventurança de ser filho de Deus:" "Muitos são os sofrimentos do justo, mas o SENHOR o livra de todos eles; ele guarda todos os seus ossos, e nenhum deles será quebrado.
O SENHOR resgata a vida dos seus servos; não serão condenados quantos nele se refugiam".
Dei-vos estas divisões, e agora deixai-me referir a elas uma por uma.
Aqui, então, há uma lição modelo para vós: "Vinde, filhos meus, ouvi-me: eu vos ensinarei o temor do SENHOR". Davi começa com uma pergunta: "Quem dentre vós ama a vida e deseja ver dias bons?" As crianças gostam desse pensamento; gostariam de viver para ser velho.
Com esta introdução ele começa e ensina-lhes moralidade: "Guarde a sua língua do mal e os seus lábios de fazerem engano. Aparte-se do mal e faça o bem; busque a paz e siga-a".
Agora, nós nunca ensinamos moralidade como o caminho de salvação. Que Deus nos proíba de jamais misturar as obras do homem de qualquer forma com o caminho para o céu; "Pois pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus." Mas ainda assim ensinamos moralidade, enquanto ensinamos espiritualidade; e sempre achei que o evangelho produz a melhor moralidade em todo o mundo. Eu teria o mestre da Escola Dominical tomar cuidado especial com a moral dos meninos e meninas, falando a eles muito particularmente daqueles pecados que são mais comuns à juventude. Ele pode honestamente e convenientemente dizer muitas coisas aos seus filhos que ninguém mais consegue dizer, especialmente ao lembrá-los do pecado de mentir, tão comum com crianças; o pecado de pequenos furtos insignificantes, de desobediência aos pais, e de não manter o Dia do SENHOR santo. Teria o mestre ser muito particular em mencionar estas coisas, uma por uma; pois é de pouca ajuda falar-lhes sobre pecados em massa: vós deveis tomá-los um por um, assim como Davi fez.
Primeiro cuidai da língua: "Guarde a sua língua do mal e os seus lábios de fazerem engano". Depois cuidai de toda a conduta: "Aparte-se do mal e faça o bem; busque a paz e siga-a." Se a alma da criança não for salva por outras partes do ensino, esta parte pode ter um efeito benéfico em sua vida; e até agora bem. Moralidade, porém, é comparativamente uma coisa pequena.
A melhor parte do que ensinais é "piedade", uma crença constante em Deus — eu disse, não religião, mas piedade. Muitas pessoas são religiosas sem ser piedosas. Muitos têm todos os externos de piedade, toda a aparência de devoção — tais homens chamamos religiosos — mas eles não têm pensamento sobre Deus. Eles pensam sobre seu lugar de adoração, seu domingo, seus livros, mas nada sobre Deus; e aquele que não respeita Deus, não ora a Deus, não ama a Deus, é um homem ímpio com toda sua religião externa, porém boa que possa ser.
Trabalhai para ensinar à criança sempre ter um olho em Deus; escrevei em sua testa: "Vós, Deus, vedes-me;" estampai em seus livros: "Vós, Deus, vedes-me;" suplikai-a lembrar-se de que: "Nos braços eternos de Deus ele para sempre habitará;" que os braços de Jeová o abrangem enquanto seu cada ato e pensamento está sob o olho de Deus. Nenhum mestre de Escola Dominical cumpre seu dever a menos que constantemente enfatize o fato de que há um Deus que nota tudo. Oh! que fôssemos mais piedosos nós mesmos, que ansiássemos por mais piedade, e que a amássemos melhor!
A terceira lição é — "o mal do pecado". Se a criança não aprende isso, nunca aprenderá o caminho para o céu. Nenhum de nós jamais soube o que um Salvador Cristo era até saber que uma coisa mal era o pecado. Se o Espírito Santo não nos ensina "a excessiva sinfulness do pecado," nunca conheceremos a bem-aventurança de salvação. Deixai-nos pedir Sua graça, então, podemos para sempre ser capaz de lutar contra a natureza abominável do pecado. "O rosto do SENHOR está contra os que praticam o mal, para eliminar da terra a lembrança deles." Não pouparei sua criança; deixai-a saber para o que o pecado leva; não, como algumas pessoas, tende medo de falar as consequências do pecado claramente e sem viés.
Ouvi falar de um pai, um de cujos filhos, um jovem muito ímpio, morreu subitamente. Ele não, como alguns fariam, disse à sua família: "Esperamos que vosso irmão tenha ido ao céu". Não; mas superando seus sentimentos naturais, ele foi habilitado, pela graça divina, a reunir os filhos mais velhos, e dizer: "Meus filhos e filhas, vosso irmão está morto; temo que ele está no inferno; vós conhecíeis sua vida e conduta, vós víeis como ele se comportava: Deus o arrebatou." Depois ele os alertou solenemente do lugar ao qual ele acreditava, e quase que sabia que tinha ido, suplicando-lhes a evitá-lo; e depois ele foi o meio de trazê-los ao pensamento sério. Mas tinha ele agido, como alguns fariam, com ternura de coração, mas não com honestidade de propósito, e dito que esperava seu filho ter ido ao céu, o que os outros teriam dito? "Se ele foi ao céu, não há necessidade de nós temermos, podemos viver como nos agradar".
Não, não; acredito que não é anticristão dizer de alguns homens que foram ao inferno, quando vimos que suas vidas foram vidas infernais. Mas frequentemente diz-se: "Conseguis julgar vossas criaturas companheiras?" Não, mas eu consigo "conhecê-los" pelos seus frutos; não as julgo ou condeno; elas se julgam a si mesmas. Vi seus pecados ir diante delas ao julgamento, e não duvido que elas seguem depois. "Mas não conseguiriam ter sido salvas na décima primeira hora?" Não sei se conseguem. Ouvi falar de um que foi, mas não sei que jamais tenha havido outro, e não consigo dizer que jamais haverá. Sede honesto então com vossas crianças, e ensinai-as, com a ajuda de Deus, que o mal matará os ímpios.
Mas vós não tereis feito metade o suficiente a menos que ensineis cuidadosamente o quarto ponto — "a absoluta necessidade de uma mudança de coração". Oh, que Deus nos capacite a manter isto constantemente diante da mente das crianças — que deve haver um coração quebrantado e um espírito arrependido, que boas obras serão de nenhuma utilidade a menos que haja uma natureza nova, que os deveres mais trabalhosos, e as orações mais sinceras serão tudo nada, a menos que haja um verdadeiro e completo arrependimento do pecado, e um completo abandono dele pela misericórdia de Deus. Sim! tende muito certeza, qualquer que seja o que deixeis fora, que dizeis a eles dos três R's, Ruína, Regeneração, e Redenção. Dizei-lhes que eles foram arruinados pela queda, e que se eles forem redimidos por Cristo eles nunca conseguem saber até que sejam regenerados pelo Espírito. Mantende estas coisas diante deles; e então tereis a agradável tarefa de dizer-lhes.
Em quinto lugar, a "alegria e bem-aventurança de ser um cristão". Bem, não tenho necessidade de dizer-vos como falar sobre isso, pois se vós sabeis o que é ser um cristão nunca estareis curtos de palavras. Sim! meus caros, quando chegamos neste assunto, nossa mente ama falar, pois fica louca de alegria, e frolic em sua bênção. Oh! verdadeiramente foi dito: "Bem-aventurado aquele cuja iniquidade é perdoada, e cujo pecado é coberto". Verdadeiramente foi dito: "Mas bem-aventurado é aquele que confia no SENHOR, e cuja confiança é Ele." Sempre enfatizai este ponto, que os justos são um povo abençoado — que a família escolhida de Deus, remida pelo sangue e salva pelo poder, são um povo abençoado aqui embaixo, e serão um povo abençoado acima. Deixai vossas crianças ver que vós sois abençoado. Se souberem que estais em aflição, vinde com um rosto sorridente, se for possível, para que digam: "Nosso mestre é um homem abençoado, embora ele seja sobrecarregado com seus problemas." Sempre procurai manter um rosto alegre para que saibam que religião é uma coisa abençoada; e deixai isto ser um ponto principal de vosso ensino: "Muitos são os sofrimentos do justo, mas o SENHOR o livra de todos eles; Ele guarda todos os seus ossos, e nenhum deles será quebrado. O SENHOR resgata a vida dos seus servos; não serão condenados quantos nele se refugiam".
Assim dei-vos estas cinco lições; e agora, em conclusão, deixai-me dizer solenemente, com toda instrução que possais dar às vossas crianças, vós deveis estar profundamente conscientes de que não sois capaz de fazer qualquer coisa para efetuar a salvação da criança, mas é o próprio Deus que desde o primeiro até o último deve efetuar tudo. Vós sois uma caneta; Deus consegue escrever convosco, mas vós não conseguis escrever vós mesmos. Vós sois uma espada; Deus consegue com vós matar o pecado da criança, mas vós não conseguis matar vós mesmos. Portanto sempre sede mindful disso, que vós mesmos devem primeiro ser ensinados por Deus, e depois vós devem pedir a Deus para ensinar, pois a menos que um mestre mais alto que vós ensine a criança, aquela criança deve perecer. Não é toda vossa instrução que salva sua alma: é a bênção de Deus repousando sobre ela.
Que Deus abençoe vossos labores! Ele fará se vós fordes instant em oração, constante em súplica; pois nunca ainda um pregador ou mestre sincero, trabalhou em vão, e nunca ainda foi achado que o pão lançado sobre as águas foi perdido.