Nenhum versículo das Escrituras me deixou mais perplexo que este na tentativa de descobrir seu significado e sua conexão. Lendo-o levianamente, à primeira vista, pode parecer muito fácil; mas se você o investigar com muito cuidado, descobrirá que é com dificuldade que consegue encadear as palavras ou lhes dar algum sentido inteligível. Tomei todos os comentadores que tenho em minha posse; acho que todos eles dão um significado às palavras, mas não uma única alma — nem mesmo o Dr. Gill — dá um significado conectado a toda a sentença. Depois de consultar as traduções antigas e empregar todos os meios ao meu alcance para descobrir o significado, encontrei-me tão perdido quanto quando comecei. Mateus Henrique, um dos mais sábios comentadores, certamente o melhor para leitura em família, faz a passagem parecer assim: "O teu povo há de oferecer-se voluntariamente no dia do teu poder, revestido de esplendor sagrado. No seio da alva tu tens o orvalho da tua mocidade".
Assim é como ele a explica, embora não diga que essa seja a tradução própria. Ele explica a última sentença, "Tu tens o orvalho da tua mocidade", como significando que na vida precoce, desde o seio da alva, pessoas jovens se renderiam a Jesus Cristo.
Mas não é nada disso. Há um ponto e vírgula na palavra "alva", dividindo a sentença.
Além disso, não diz "o povo há de oferecer-se voluntariamente; tu tens o orvalho da sua juventude", como leria se fosse conforme os expositores entendem; mas diz a Cristo: "Tu tens o orvalho da tua mocidade". Não foi senão quando examinei completamente a conexão do versículo e tentei entender o alcance do Salmo que achei estar na pista de seu significado; e mesmo agora o deixaremos ao seu juízo para decidir se alcançamos ou não a mente do Espírito, como esperamos ter feito.
O Salmo é uma espécie de Salmo de coroação. Cristo é convidado a tomar seu trono: "Assenta-te à minha direita". O cetro é colocado em sua mão. "O Senhor enviará de Sião o cetro do teu poder".
E então a pergunta é feita: "Onde estão seus povos?" Pois um rei não seria rei sem súditos. O título mais elevado da realeza é apenas um vazio quando não há súditos que o preencham. Onde, então, Cristo encontrará o que constitui a plenitude daquele que enche todas as coisas? A grande ansiedade que temos não é se Cristo é rei ou não: sabemos que é; ele é o Senhor da criação e da providência; nossa ansiedade é sobre seus súditos.
Muitas vezes perguntamos: "Ó Senhor, onde encontraremos teus súditos?" Quando temos pregado a corações endurecidos e profetizado a ossos secos, nossa incredulidade às vezes diz: "Onde encontraremos filhos para Cristo? Onde encontraremos pessoas que constituirão os súditos de seu império?" Nossos temores são completamente acalmados por esta passagem: "O teu povo, na hora do teu poder, há de oferecer-se voluntariamente, revestido de esplendor sagrado, tal como o orvalho nascido do seio da alva"; e pela segunda promessa, "Tu tens o orvalho da tua mocidade". Estes pensamentos são colocados aqui para acalmar as ansiedades do povo crente de Deus e para lhes mostrar como Cristo será verdadeiramente rei e nunca carecerá de uma multidão de súditos.
Primeiramente, há aqui uma promessa a respeito de seu povo; e em segundo lugar, há uma promessa a respeito de Cristo mesmo, que ele será sempre tão forte, tão fresco, tão novo e tão poderoso quanto sempre foi.
"O teu povo, na hora do teu poder, há de oferecer-se voluntariamente, revestido de esplendor sagrado, tal como o orvalho nascido do seio da alva." Aqui há uma promessa a respeito do tempo: "na hora do teu poder". Aqui há uma promessa a respeito do povo: "teu povo". Aqui há uma promessa a respeito da disposição: "há de oferecer-se voluntariamente". Aqui há uma promessa a respeito do caráter: "revestido de esplendor sagrado". E há uma figura majestosa para mostrar a maneira pela qual serão trazidos. Pela metáfora muito ousada, diz-se que vêm tão misteriosamente quanto os orvalhôs saem do seio da alva. Não sabemos como, mas eles são produzidos por Deus. "O teu povo, na hora do teu poder, há de oferecer-se voluntariamente, revestido de esplendor sagrado. Do seio da alva virão.
1. Primeiramente, aqui há uma promessa a respeito do tempo. Cristo não há de reunir seu povo todos os dias, mas em um dia especial, o dia do seu poder. Não é o dia quando o homem se sente a si mesmo mais poderoso, que almas são reunidas; pois, ai de nós! Os servos de Deus às vezes pregam até que sua autocomplacência lhes diz que foram excessivamente eloquentes e poderosos, e que, portanto, os homens devem ser salvos; mas não há promessa de que no dia do nosso poder jamais vejamos homens reunidos a Cristo. Há tempos quando o povo parece ter grande poder em buscar a Deus, e quando têm o poder de ouvir, mas não há promessa de que justamente quando um entusiasmo reina, e quando parece haver poder na criatura, que tal dia seja o dia da colheita de Deus. É "a hora do teu poder" — não do poder do ministro, nem do poder dos ouvintes.
O dia do poder de Deus — quando é? Nós consideramos que é o dia quando Deus derrama seu próprio poder sobre o ministro, de modo que os filhos de Deus são reunidos por sua pregação.
Há tempos, meus amados, quando o servo ordenado do Deus vivo não terá nada a fazer pregando, a não ser apenas abrir sua boca e deixar as palavras fluírem. Ele raramente precisará parar para pensar, mas os pensamentos serão injetados em sua mente, e enquanto prega sentirá que há um poder acompanhando sua palavra. Seus ouvintes também o discernirão. Alguns deles sentirão como se estivessem sentados debaixo de um martelo, batendo em seus corações.
Outros sentirão como se a verdade estivesse se infiltrando em seus corações e matando toda sua incredulidade, de tal forma que não poderiam resistir ao poder bendito. Frequentemente acontecerá que os filhos de Deus encontrarão uma influência e um poder irresistível acompanhando a palavra. Ouviram aquele ministro antes, ficaram encantados com ele, confiavam que foram edificados sobre boa terra, cada golpe acertava o alvo, não havia flecha disparada que não fosse ao centro da alma — não havia uma sílaba dita que não fosse como a palavra do Senhor mesmo, falando de Sinai ou de Calvário. Nunca conheceram tais tempos? Nunca os sentiram quando estavam de pé ou sentados na casa de Deus? Ah! Aqueles são tempos quando Deus, pela manifestação de si mesmo, se digna a iluminar seus filhos, a reunir seu povo, e a tornar pobres pecadores dispostos. Há também um dia de poder no coração de cada pecador; pois, ai de nós! O dia geral de poder que ocorre em nossa congregação omite muitos — muitos sobre os quais temos que chorar — enquanto centenas derramam lágrimas de arrependimento, outros centenas permanecem estóicos e imóveis. Enquanto alguns corações saltam de alegria, outros estão presos nas correntes da ignorância, dormindo o sono da morte. Enquanto Deus está derramando seu Espírito até que alguns corações estejam cheios até a boca, prontos a transbordar, há alguns secos, sem uma gota da umidade celestial. Mas o dia do poder de Deus é um dia de poder pessoal em nossas almas, como aquele dia de Zaqueu quando o Senhor disse: "Desce-te com pressa". É um dia não de argumento do homem, mas um dia de poder onipotente — Deus trabalhando no coração. Não é um dia de iluminação intelectual, um dia de instrução meramente, mas um dia quando Deus entra no coração, e com mão poderosa contorce a vontade e a vira como quer — faz o julgamento julgar com retidão, a imaginação pensar como deve, e guia toda a alma a si mesmo. Nunca você pensou que poder era esse que Deus exerce no coração de cada indivíduo? Não há poder como ele. Deveria um homem comandar as poderosas cachoeiras a congelar-se e ficar em montes? Se elas o obedecessem, ele não teria operado um milagre metade tão poderoso quanto aquele que Deus opera no coração quando ordena às enchentes do pecado que cessem de fluir. Poderia eu comandar o Etna com suas chamas e fumaça a cessar suas erupções, e deveria ele de uma vez ficar quieto, eu não teria operado um feito tão poderoso quanto quando Deus fala a um espírito fervente enviando fogo e fumaça, e ordena que fique quieto. O Deus eterno exibe mais poder ao virar um pecador do erro de seus caminhos do que na criação de um mundo ou na sustentação de um universo. No dia do poder de Deus, o povo de Deus há de oferecer-se voluntariamente. Meus amados, também esperamos por um dia de poder no próximo período do reino de Jesus Cristo. Tomo-o que há um tempo chegando quando o mais fraco entre nós será como Davi, e quando Davi será como o anjo do Senhor. O tempo está se aproximando quando cada pobre ministro ignorante há de pregar com poder, e quando cada filho de Deus há de estar cheio do conhecimento de Deus. Esperamos um dia feliz quando Cristo venha e cause que o conhecimento do Senhor se espalhe tão rapidamente que cubra a terra, como as águas cobrem o mar. Frequentemente nos alegramos com este assunto — bem, se realmente laboramos em vão e gastamos nossa força por nada agora, não será assim sempre; o dia virá quando o vento fresco do Espírito encherá as velas da igreja, e ela navegará rapidamente; quando a fraca mão do ministro será tão poderosa quanto a mão do mais ousado guerreiro cristão que já empunhou a espada do Espírito; quando cada palavra de Cristo será como ungüento derramado, espalhando perfume sobre um mundo pecador; quando jamais pregaremos um sermão sem efeito; quando, como a chuva desce e a neve do céu, não apenas não volta vazia, mas rega a terra, de modo que havendo já brotado e germinado, há de produzir fruto para glória de Deus — esse fruto, a destruição de ídolos, e o derrubamento de todas as falsas religiões. Dia feliz, aquele dia de poder!
Cristãos! Por que não oram por ele? Por que não pedem que Deus desse a seu povo poder, e que Cristo viesse rapidamente e encontrasse seu povo disposto?
Há, porém, outra tradução destas palavras.
Calvino as traduz como "no tempo da reunião de seu exército", "au jour des montres" "no dia da revista". Você às vezes diz: "Oh! Se uma grande luta fosse ocorrer, onde seriam encontrados os homens para lutar por Cristo?" Ouvimos crentes tímidos dizer: "Oh, tenho medo de que se a perseguição começar, encontraríamos muito poucas pessoas valentes pela verdade — poucos ministros viriam adiante corajosamente para apoiar o evangelho de Cristo". Nada disso, crente!
O povo de Cristo há de oferecer-se voluntariamente no dia dos exércitos de Deus. Deus nunca teve uma batalha para lutar em que pudesse dizer: "Não tenho soldados em reserva". Deus nunca teve uma campanha árdua em que seus exércitos fossem insuficientes.
Uma vez o profeta disse, Zacarias 1:18-21: "Levantei os meus olhos, e vi, e eis quatro chifres. E disse eu ao anjo que falava comigo: Que é isto? E ele me respondeu: Estes são os chifres que espalharam Judá, Israel e Jerusalém. E o Senhor me mostrou quatro carpinteiros. Então disse eu: Que vêm estes fazer? E ele falou, dizendo: Estes são os chifres que espalharam Judá, de tal forma que ninguém levantou a cabeça: mas estes vieram para assustá-los e derribar os chifres das nações que levantaram o chifre sobre a terra de Judá para a espalhar".
Deus teve homens suficientes para derribar os chifres e para construir sua casa, havia quatro; e tinha o tipo certo de homens pronto para fazer seu trabalho; pois "carpinteiros" estavam prontos. Sempre que uma luta está se aproximando, Deus encontrará seus homens. Sempre que uma batalha é para começar, Deus encontrará os homens valentes pela verdade. Nunca tenha medo de que Deus não cuidará de sua igreja. "O teu povo ha de oferecer-se voluntariamente no dia dos seus exércitos". Você está empreendendo algum nobre empreendimento? Está dizendo: "Aqui há um grande esforço para evangelizar o mundo; onde encontraremos pessoas?" A resposta é: "O povo de Deus ha de oferecer-se voluntariamente no dia de seus exércitos". Alguns professores de escola dominical estão reclamando que em sua igreja não conseguem encontrar gente suficiente para fazer um canvass do distrito. Por quê? Porque não têm povo suficiente de Deus, pois o povo de Deus ha de oferecer-se voluntariamente no dia de seus exércitos. Temos reclamado que não conseguimos encontrar ministros para fazer evangelização.
Por quê? Porque não estão completamente imbuídos do Espírito do Mestre, pois seu povo seria disposto no dia dos exércitos de Deus quando necessário. Eles sempre têm corações dispostos para estar prontos para a batalha. Não dizem: "Devo consultar carne e sangue".
Não, ali está o padrão; subem os soldados de Deus! Ali está a batalha; saem suas espadas!
Estão prontos para a luta de uma vez. Estão sempre prontos no dia dos exércitos de Deus. Meus amados, não temam luta; não receiem empreendimento algum; nem pensem que a prata e o ouro nos serão retidos — "A prata é minha, e o ouro é meu", diz o Senhor. Não pensem, porém, por maiores que sejam suas ideias, que fracassarão. O povo de Deus virá adiante dispostos quando ele exigir seu auxílio. Cremos nessa verdade firmemente; mas devemos esperar pelo dia de Deus; devemos orar pelo dia de Deus; devemos esperar por ele; devemos trabalhar por ele, e quando vier, Deus encontrará seu povo disposto, como deve ser. 2. Depois, temos aqui a promessa de um povo, "O teu povo, na hora do teu poder, há de oferecer-se voluntariamente" — ninguém mais. Aqui há uma promessa de que Cristo sempre terá um povo. Nas épocas mais escuras Cristo sempre teve uma igreja; e se tempos mais escuros vierem, ele terá sua igreja ainda.
Oh! Elias, tua incredulidade é tola. Tu dizes: "Eu, só eu, fiquei sozinho, e buscam minha vida". Não, Elias, naquelas cavernas da terra Deus tem seus profetas, escondidos em sete mil. Tu também, pobre cristão incrédulo, às vezes dizes: "Eu, até mesmo eu, fiquei sozinho". Oh! se tivesses olhos para ver, se pudesses viajar um pouco, teu coração se alegraria em encontrar que Deus não carece de um povo. Alegra-me o coração o fato de que Deus tem uma família em toda parte. Não vamos a lugar algum sem que encontremos corações verdadeiramente sérios — homens cheios de oração. Abençoo a Deus que posso dizer, a respeito da igreja onde quer que tenha estado, embora não sejam muitos, há uns poucos que suspiram e gemem pelas aflições de Israel.
Há bandas escolhidas em cada chiesa, homens completamente sérios que estão procurando, e estão prontos para receber seu Mestre, que clamam a Deus que lhe enviasse tempos de refrigério da presença do Senhor. Não fique muito triste;
Deus tem um povo, e estão dispostos agora; e quando o dia do poder de Deus vier, não há medo a respeito do povo. A religião pode estar em baixa, mas nunca esteve em tão baixa que o navio de Cristo naufragasse. Pode ser tão baixa quanto quiser, mas o diabo nunca será capaz de atravessar o rio da igreja de Cristo pé enxuto. Sempre encontrará abundância de água correndo no canal. Deus nos conceda graça para procurar por seu povo, crendo que há alguns em toda parte, pois a promessa é: "o teu povo, na hora do teu poder, ha de oferecer-se voluntariamente". 3. Depois vem a disposição. O povo de Deus é um povo disposto. Adão Clark diz: "Este versículo foi perversamente distorcido. Supôs-se que apontasse a essa operação irresistível da graça de Deus nas almas dos eleitos, tornando-os dispostos a receber Cristo como seu Salvador". Uma doutrina que ele completamente rejeita. Bem, meu caro Adam Clarke, somos extremamente obrigados a você por seu comentário, mas ao mesmo tempo achamos que o texto não foi "perversamente distorcido". Cremos que o texto foi muito propriamente usado para mostrar que Deus torna os homens dispostos. Pois se lermos nossas Bíblias corretamente, entendemos que os homens, por natureza, não são dispostos; pois há um texto que você é extremamente apaixonado e que não achamos que lhe pertence, e que diz: "Não quereis vir a mim para terdes vida". "Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou não o trouxer". Se você se lembrasse disso, achamos, ainda que o texto não o ensine, você pelo menos teria algum respeito pela doutrina; mas diz que o povo de Deus há de oferecer-se voluntariamente na hora do poder de Deus; e se o lermos como povo simples falante de inglês, podemos dizer deste texto que deve haver uma obra de sua graça tornando os homens dispostos no dia do poder de Deus. Não sabemos se você acha isso uma lógica justa. Achamos que é. Fomos acusados de não ter lógica, e não estamos particularmente desculpados por isso, pois preferiríamos o que os homens chamam de dogmatismo a lógica. É de Cristo provar; é nosso pregar. Deixamos o argumento a Cristo; para nós, temos apenas para afirmar o que vemos na Palavra de Deus. O povo de Deus há de ser um povo disposto. Podemos dizer quem são os filhos pelo fato de que são dispostos. Preguo a muitos de vocês inúmeras vezes. Digo-vos a respeito do inferno; ordeno-vos a fugir dele; digo-vos a respeito de Cristo; ordeno-vos a olhar para ele, mas sois indispostos em fazer assim. Que concluo disso? Ou que o dia do poder de Deus ainda não veio, ou que vocês não são povo de Deus. Quando preguo com poder, e a palavra é dispensada com unção, se vejo-vos imóveis e instáveis, indispostos a vos lançardes em Jesus Cristo, que digo eu? Bem, temo que esses não sejam povo de Deus, pois o povo de Deus está disposto no dia do seu poder, disposto a se submeter à graça soberana, a dar-se a si mesmo nas mãos do Mediador, a depender simplesmente de sua cruz para salvação. Pergunto novamente, o que os tornou dispostos? Não deve ter sido algo em graça que virou sua vontade? Se a vontade do homem for puramente livre para fazer o certo ou o errado, conjuro-vos, meus amigos, a responder isto: se for assim, por que não vos virais a Deus neste momento mesmo sem assistência divina? É porque não estais dispostos, e era necessária uma promessa de que o povo de Deus teria de ser disposto no dia do seu poder.
Penso que esta palavra se aplica não apenas a estar dispostos a ser salvos, mas dispostos a trabalhar depois que são salvos. Você jamais conheceu um ministro que pregava no domingo, mas que na reunião de oração na segunda noite parecia que preferia estar em casa? E se houvesse uma palestra na quinta, não viria ele, pobre homem, como se estivesse prestes a realizar algum dever enormemente difícil? O que você acha dele? Por quê, você acha que não é um do povo de Deus, senão ele seria disposto.
Algumas pessoas vêm à casa de Deus, mas vêm assim como o negro iria a seu lugar de castigo, eles não gostam, e ficam felizes de sair novamente. Mas o que dizemos do povo de Deus: "Com alegria nos seus átrios entrar, As tribos consagradas se reúnem".
Eles são um povo disposto. Há uma coleta. A Igreja de Deus requer alguma assistência.
Um homem distribui a menor migalha que consegue para manter sua respeitabilidade. Você não acha que ele exibe o espírito de um cristão porque não está disposto; mas o povo de Cristo está disposto; tudo o que fazem, o fazem dispostos, pois não são constrangidos por compulsão alguma, mas apenas por graça. Tenho certeza de que todos nós podemos fazer uma coisa muito melhor quando estamos dispostos do que quando somos forçados. Deus ama os serviços de seu povo, porque os fazem voluntariamente. O voluntarismo é a essência do evangelho.
Pessoas dispostas são aquelas que Deus se deleita em ter como seus servos. Ele não teria escravos para adornar seu trono, mas homens livres, que com alegria e gozo, estejam dispostos no dia do seu poder. 4. Dificilmente teremos tempo para uma discussão completa do texto, mas devemos brevemente notar o caráter destas pessoas assim como suas disposições. "O teu povo, na hora do teu poder, ha de oferecer-se voluntariamente". "Hão de estar vestidos de esplendor sagrado". Assim é como hão de ser vestidos — não meramente em santidade, mas no esplendor da santidade, pois a santidade tem seus esplendores, suas gemas, suas pérolas; e quais são essas? Hão de estar vestidos no esplendor da santidade de justiça imputada e de graça comunicada. O povo de Deus é, em si mesmo, um povo deformado, daí sua beleza lhes deve ser dada. O padrão de beleza é a santidade. Se um anjo descesse do céu, e levasse a Deus a criatura mais bela que pudesse encontrar, não colheria rosas da terra, não colheria lírios dela, mas levaria ao céu o caráter justo de um filho de Deus. Onde encontrasse um herói que nega a si mesmo, onde descobrisse um cristão desinteressado — um discípulo ardente, o anjo o levaria, exclamando: "Grande Deus, aqui há beleza; toma-a, esta é a tua beleza". Caminhamos e admiramos estátuas e coisas assim, e dizemos: "Aqui há beleza", mas o cristão tem em si a verdadeira beleza — os esplendores da santidade. Oh! vós jovens, vós alegres, vós soberbos, vós pedis beleza, mas sabes que toda a beleza desta terra não pode fazer-vos bem, pois deveis morrer e usar um sudário? "O tempo vos roubará vosso brilho, A morte vos levará ao túmulo".
Mas se tendes os esplendores da santidade, eles hão de aumentar e tornar-se mais belos e mais belos, e entre os belos anjos, vós, tão belos quanto eles, vós ficareis adornados na justiça do vosso Salvador. "O teu povo, na hora do teu poder, ha de oferecer-se voluntariamente", e eles hão de ser o tipo certo de pessoas; serão um povo santo, revestido de todo "o esplendor da santidade". 5. Agora há uma metáfora ousada aqui que devemos explicar no último lugar. O texto diz: "O teu povo, na hora do teu poder, ha de oferecer-se voluntariamente, revestido de esplendor sagrado". Agora você entende isso, mas o que significam as próximas palavras: "tal como o orvalho nascido do seio da alva"? "Por quê, a partir dos períodos mais precoces de suas vidas", dizem os comentadores, "o povo de Deus há de estar disposto". Não, não significa isso; há uma figura ousada e brilhante aqui. A pergunta é: de onde virão? Como o povo de Deus será trazido? Que meios serão empregados? Como será feito? A resposta simples é esta. Você nunca viu gotículas de orvalho brilhando na terra? E nunca perguntou: "De onde vieram estas? Como chegaram aqui em número infinito, tão generosamente espalhadas por todas as partes, tão puras e brilhantes". A natureza sussurrou a resposta: "Vieram do seio da alva". Assim o povo de Deus virá tão silenciosamente, tão misteriosamente, tão divinamente, como se tivessem vindo "do seio da alva", como os orvalhôs. A filosofia trabalhou para descobrir a origem do orvalho, e talvez tenha adivinhado; mas para o oriental, um dos maiores enigmas era: de cujo seio veio o orvalho? Quem é a mãe daquelas gotículas perladas? Agora, assim o povo de Deus virá misteriosamente. Será dito pelo observador: "Não havia nada na pregação daquele homem; pensei que ouviria um orador; este homem foi feito o meio de salvação para milhares, e pensei que ouviria um homem eloqüente, mas ouvi muitos pregadores muito mais inteligentes e intelectuais que ele; como foram essas almas convertidas?" Por quê, elas vieram "do seio da alva", misteriosamente.
Novamente, as gotículas de orvalho — quem as fez? Os reis e príncipes se levantam e empunham seus cetros, e ordenam às nuvens que derramem lágrimas, ou as assustam a chorar com o bater do tambor? Exércitos marcham para a batalha para forçar o céu a entregar seu tesouro, e dispersar seus diamantes generosamente?
Não; Deus fala; ele sussurra nos ouvidos da natureza, e ela chora de alegria pelas boas notícias de que a alva chegou. Deus o faz; não há agência aparente empregada, sem trovão, sem relâmpago; Deus o fez. É assim que o povo de Deus será salvo; eles vêm do "seio da alva" divinamente chamados, divinamente trazidos, divinamente abençoados, divinamente numerados, divinamente espalhados por toda a superfície do globo, divinamente refrescantes para o mundo, eles procedem do "seio da alva".
Você pode ter notado na manhã quantas gotículas de orvalho há, e pode ter perguntado: "De onde vem uma multidão tão grande?" Respondemos que o seio da natureza é capaz de dez mil nascimentos de uma vez. Assim, "do seio da alva" os filhos de Deus virão. Nenhuma luta, nenhuma angústia, nenhum grito, nenhuma agonia é ouvida, tudo é secreto; mas virão frescos "do seio da alva". A figura é tão bela que as palavras não conseguem explicá-la. Você apenas tem de se levantar cedo de manhã quando o sol está começando a dispararraios de luz para o céu, e olhar os campos todos brilhando de orvalho, e dizer: "De onde vieram todos estes?" A resposta é: eles vieram "Do seio da alva". Então quando você descobre que multidões são salvas, e as vê vindo tão misteriosamente, tão gentilmente, tão divinamente, e ainda assim tão numerosas, você só pode compará-las ao orvalho da manhã. Você diz: "De onde vieram estas?"
E a resposta é: elas vieram "do seio da alva".
Havia uma promessa feita a Cristo a respeito de seu povo, e isso alivia nossos temores a respeito da Igreja.
Agora aqui está OUTRA PROMESSA FEITA A CRISTO: "Tu tens o orvalho da tua mocidade". Ah! crente, esta é a grande fonte do sucesso do evangelho, que Cristo tem o orvalho de sua mocidade. Jesus Cristo, pessoalmente, tem o orvalho da sua mocidade.
Certos líderes em seus dias jovens lideraram suas tropas à batalha, e pela altura de sua voz e força de seus corpos, inspiraram seus homens com coragem; mas o velho guerreiro tem seus cabelos cobertos de cinza; começa a ficar enfraquecido, e não pode mais liderar homens à batalha. Não é assim com Jesus Cristo. Ele ainda tem o orvalho de sua mocidade. O mesmo Cristo que liderou suas tropas à batalha em sua mocidade lídera-as agora. O braço que feriu o pecador com sua palavra fere agora; é tão vigoroso quanto antes. O olho que contemplou seus amigos com gladeza, e seus inimigos com um olhar mais severo e elevado — esse mesmo olho nos contempla agora, não obscurecido, como o de Moisés. Ele tem o orvalho da sua mocidade. Oh! nos deleita pensar que Cristo era "Deus sobre tudo, bendito para sempre", em sua mocidade, cheio de poder todo-poderoso, e é exatamente o mesmo agora. Ele não é um Cristo velho — um Cristo gasto, mas nosso líder ainda. Ele é tão jovem quanto sempre. O mesmo orvalho, a mesma frescura, está sobre ele. Você ouve dizer de um ministro: "Nos seus dias jovens havia muita frescura sobre ele, mas está ficando velho e começa a repetir-se a si mesmo". Nunca é assim com Cristo; ele sempre tem o orvalho de sua mocidade. Aquele que "falou como nunca homem algum falou", uma vez que venha falar novamente, falará exatamente como fez antes. Ele tem o orvalho da sua mocidade pessoalmente.
Também doutrinariamente. Cristo tem o orvalho de sua mocidade.
Usualmente, quando uma religião começa é muito vigorosa, mas depois decai.
Olhe para a religião de Maomé. Por cem anos ou mais ameaçou derrotar reinos e derrocar o mundo inteiro, mas onde estão as lâminas que brilhavam então? Onde estão agora as mãos dispostas que derrubaram os inimigos de Maomé? Por quê, sua religião tornou-se uma coisa velha e gasta; ninguém se importa com ela; e o turco, sentado em seu divã, com as pernas cruzadas, fumando seu cachimbo, é a melhor imagem da religião maometana — velha, enfraquecida, exaurida. Mas a religião cristã — ah! é tão fresca quanto quando começou em seu berço em Jerusalém; é tão vigorosa, e saudável, e poderosa, quanto quando Paulo a pregava em Atenas, ou Pedro em Jerusalém. Não é uma religião velha. Nem uma partícula dela envelheceu, embora centenas de anos tenham passado. Quantas religiões morreram desde que a de Cristo começou! Quantas surgiram, como cogumelos em uma noite! Mas não é a de Cristo tão nova quanto sempre foi? Pergunto a vocês, cabeças velhas e grisalhas, vocês conheceram seu Mestre em sua mocidade, e pensaram que sua religião era doce e preciosa; vocês acham agora que é inútil? Vocês acham agora que Cristo não tem o orvalho da mocidade sobre ele? Não; vocês podem dizer: "Doce Jesus, o dia em que primeiro toquei em tua mão, o dia de meus esponsais, pensei que eras completamente adorável; e não és como um amigo terreno: não envelheceste; és tão jovem quanto sempre. Tua testa não tem rugas em si; teus olhos não estão opacos. Teu cabelo ainda é negro como o corvo, não branco pela idade; ainda és imóvel, inalterado, apesar de todos os anos em que te tenho conhecido. Bem, meus amados, ves que encorajamento é este para nós na propagação do reino do nosso Mestre, que não estamos pregando uma coisa velha que está fora de moda, mas uma religião que tem o orvalho de sua mocidade sobre ela. A mesma religião que poderia salvar três mil no Pentecostes pode salvar três mil agora. Preguo uma doutrina antiga, mas é tão nova quanto quando saiu do cunho do céu. A imagem e a inscrição são tão claras, e o metal é tão brilhante e inextinguível quanto sempre. Tenho uma velha espada, mas não é uma enferrujada; embora tenha cortado muita Raabe, contudo não tem um único sinal de fraqueza sobre si — é tão nova quanto quando foi forjada na bigorna da sabedoria. O evangelho tem o mesmo espírito acompanhando-o agora que tinha quando era um evangelho jovem. Assim como Pedro se levantou para pregar então, assim podem Pedros agora, e Deus lhes dará a mesma unção. Assim como Paulo pregou então, assim pregam Paulos agora. Assim como Timóteo sustentou a palavra do Senhor, assim podem Timóteos agora, e o mesmo Espírito Santo acompanhará. Temo que o povo de Cristo não creia esta sentença — que Cristo tem o orvalho de sua mocidade. Eles têm uma noção de que os tempos de grandes avivamentos passaram. E os pais, perguntam eles, onde estão? Somos aptos a chorar: "Os cavalos de Israel e seus carros". Ninguém jamais vestirá novamente o manto de Elias; nunca veremos grandes e maravilhosas obras novamente. Oh, incredulidade tola! Cristo ainda tem o orvalho de sua mocidade. Ele tem tanto do Espírito Santo agora quanto tinha no início, pois o tem sem medida. E embora o tenha dispensado para milhares, ainda o dispensará. Mas a pergunta é feita: "Como é que as pessoas nestes tempos começam a ficar cansadas do evangelho, se tem o orvalho de sua mocidade?" Por quê, meus amados, é porque o evangelho não vem a eles na forma de orvalho. Não frequentemente ouvimos um evangelho todo seco e sem medula, como um monte de ossos do qual a medula foi fervida? Muito agradáveis são estes ossos para seus divinos filosóficos, que gostam de estudar antiguidades, e descobrir a qual animal imundo este ou aquele osso pertence, mas de nenhum serviço para os filhos de Deus, pois não há alimento nos ossos. Queremos um evangelho coberto com unção, cheio de sabor; e quando o povo de Deus tem isso, nunca ficam cansados dele, eles encontram um orvalho e uma frescura sobre ele que são duradooros.
Agora, se Cristo tem o orvalho de sua mocidade sobre ele, como aqueles de nós que somos seus ministros devemos proclaimar sua palavra. Não há nada como forte fé para fazer um homem pregar poderosamente. Se penso que preguo um evangelho cambaleante e velho, não posso proclamá-lo com zelo; mas se penso que estou pregando um evangelho forte e vigoroso, cujo marco não foi abalado, e cujo poder é tão grande quanto sempre, como devo proclamá-lo poderosamente! Ah! bendito seja Deus, há alguns corações tão quentes quanto sempre, algumas almas tão firmes na causa de seu Mestre quanto sempre foram os corações dos Apóstolos. Há ainda alguns homens bons e verdadeiros que se reúnem em torno da cruz. Como os homens de Davi na caverna de Adulão, há alguns poderosos que se reúnem em torno do estandarte. Ele não foi deixado sem suas testemunhas, ele ainda tem o orvalho de sua mocidade, e o dia pode vir quando aqueles agora escondidos em escuridão, como orvalho antes do brilho do sol, virão adiante, brilhando em cada arbusto, adornando cada árvore, iluminando cada vila, alegrando cada pasto, fazendo as pequenas colinas cantar de alegria. Vai, cristão, e coloca isso na forma de oração.
Ora a Cristo para que seu povo seja disposto no dia do seu poder, e que ele sempre retenha o orvalho de sua mocidade. "Cavalga adiante, doce Príncipe, triunfantemente, E ordena ao mundo que obedeça".
Vai adiante, e prova-te a ser o mesmo que sempre foste, o Deus abençoado, "Deus sobre tudo, bendito para sempre". Acima, cristão, acima! Lutai pelo vosso jovem Monarca! Acima com vocês, guerreiros! Deixem suas espadas brilharem de seus estojos! Lutem por vosso Rei! Acima! acima! pois o velho estandarte é também um novo estandarte.
Cristo ainda está fresco e ainda é jovem. Deixem o entusiasmo de vossa mocidade vos cingir! Uma vez mais, levantai-vos, cristãos idosos, e deixem vossos dias jovens retornarem, pois se Cristo tem o orvalho de sua mocidade sobre ele, cumpre-vos servi-lo com vigor jovem. Acima! partindo agora do vosso sono, dai-lhe uma mocidade nova, e procurai ser tão sérios e tão zelosos por sua causa como se fosse o primeiro dia em que o conhecêsseis. Oh! que Deus faça muitos pecadores dispostos!
Que ele traga muitos a seus pés, pois ele prometeu que eles haverão de estar dispostos no dia do seu poder.