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SERMÃO 81

"A Igreja Como Ela Deveria Ser"

Cantares 6:4
"Tu és formosa, ó meu amor, como Tirza, airosa como Jerusalém, terrível como um exército com bandeiras." — Cantares 6:4

Há diversas estimativas acerca da Igreja cristã. Alguns pensam tudo dela; outros não pensam nada; e provavelmente nenhuma das duas opiniões vale o fôlego que a exprime. Nem os ritualistas, que idolatram a sua Igreja, nem os céticos, que difamam todas as igrejas, têm conhecimento suficiente da verdadeira Igreja espiritual de Jesus Cristo para emitir uma opinião digna de crédito. A filha do rei é toda gloriosa por dentro, com uma beleza que eles são absolutamente incapazes de apreciar. Qual é geralmente o retrato mais exato que se pode obter de uma mulher? Havemos de nos guiar pelos elogios dos vizinhos que estão bem com ela, ou pela maledicência dos que a tornam objeto de fofoca maliciosa? Não; o julgamento mais acertado que podemos esperar é o do seu marido. Salomão diz nos Provérbios a respeito da mulher virtuosa: "O seu marido também se levanta, e a louva." Do mesmo modo pode-se dizer a respeito da mais formosa entre as mulheres — a Igreja de Cristo. Para ela é de pouca importância ser julgada pelo julgamento humano, mas é sua honra e alegria estar bem amada e estimada pelo seu real esposo, o Príncipe Emanuel. Embora as palavras que temos diante de nós sejam alegóricas, e todo o Cântico esteja repleto de metáforas e parábolas, o ensinamento é claro o suficiente neste caso; é evidente que o Divino Noivo dá à sua noiva um lugar elevado em seu coração, e que, aos seus olhos — quaisquer que sejam os de outros — ela é bela, adorável, airosa, formosa e, no olhar do seu amor, sem mácula. Além disso, mesmo a ele há nela não apenas uma beleza suave e delicada, mas uma majestade, uma dignidade em sua santidade, em seu fervor, em sua consagração, que faz com que mesmo ele diga dela que é "terrível como um exército com bandeiras", "imponente como um exército ordenado."

Ela é em tudo uma rainha: seu porte aos olhos do amado é majestoso. Tomemos, pois, as palavras do nosso texto como um encômio à Igreja de Cristo, pronunciado por aquele que a conhece melhor e é mais apto a julgá-la, e aprenderemos que, ao seu olhar perspicaz, ela não é fraca, desonrosa e desprezível, mas se porta como alguém da mais alta estirpe — consciente e alegremente forte na força do seu Senhor.

I. POR QUE A IGREJA DE DEUS É CHAMADA DE UM EXÉRCITO COM BANDEIRAS

Nesta ocasião, observemos, em primeiro lugar, por que a Igreja de Deus é chamada de um exército com bandeiras. Que ela é um exército é bastante verdadeiro, pois a Igreja é uma, mas também múltipla; e consiste de homens que marcham em ordem sob um líder comum, com um propósito em vista — e esse propósito é um conflito e uma vitória. Ela é a Igreja militante aqui embaixo, e tanto no sofrimento quanto no serviço ela é levada a provar que está em território inimigo. Ela contende pela verdade contra o erro, pela luz contra as trevas; até que o dia amanheça e as sombras fujam, ela deve manter suas sentinelas e acender suas fogueiras de vigia; pois por toda parte ao seu redor há razão para guarar-se do inimigo e defender o real tesouro da verdade do evangelho contra seus mortais adversários.

Mas por que um exército com bandeiras? Não é isso, em primeiro lugar, para distinção? Como saberemos a qual rei pertence um exército se não podemos ver o estandarte real? Em tempo de guerra, a nacionalidade das tropas é frequentemente declarada pelo seu uniforme distintivo. As sobrecasacas cinzentas dos russos eram bem conhecidas na Crimeia; a libré branca dos austríacos era um espinho nos olhos dos habitantes da Lombardia. Ninguém confundia os Brunsviques Negros com a Guarda Francesa, nem nossos próprios hussares com os garibaldinos. De modo igualmente eficaz, os exércitos foram distinguidos pelas bandeiras que carregavam. Assim como os cavaleiros de outrora eram reconhecidos por seu penacho, elmo e escudo, um exército é conhecido pelo seu estandarte e pelas cores nacionais. A tricolor francesa marcou prontamente suas tropas enquanto fugiam ante o terrível preto e branco do exército alemão. A Igreja de Cristo exibe suas bandeiras por razão de distinção. Não deseja ser associada a outros exércitos, nem ser confundida com eles, pois não é deste mundo, e suas armas e sua guerra são muito diferentes das das nações. Deus nos livre de que os seguidores de Jesus sejam confundidos com partidários políticos ou aventureiros ambiciosos. A Igreja desfraldra seu estandarte ao vento para que todos saibam de quem ela é e a quem serve.

Isso é da máxima importância no tempo presente, quando homens astuciosos se empenham em fazer passar suas invenções. Toda Igreja cristã deveria saber o que crê e declarar publicamente o que sustenta. É nosso dever fazer uma declaração clara e distinta de nossos princípios, para que nossos membros saibam com que propósito se reuniram, e para que o mundo também saiba o que queremos dizer. Longe de nós juntar-nos ao clamor da Igreja Ampla e enrolar as bandeiras nas quais nossas cores distintivas são exibidas. Ouvimos de todos os lados grandes clamores contra os credos. São justificáveis essas reclamações? Parece-me que, quando devidamente analisadas, a maioria dos protestos não é contra os credos, mas contra a verdade; pois todo homem que crê em alguma coisa deve ter um credo, quer o escreva e publique ou não. E se há um homem que não crê em nada, ou em qualquer coisa, ou em tudo por turnos, ele não é um homem adequado para ser apresentado como modelo. Os ataques são frequentemente dirigidos contra os credos porque são uma forma abreviada e conveniente pela qual a mente cristã dá expressão à sua crença, e os que odeiam os credos o fazem porque os encontram como armas tão inconvenientes quanto as baionetas nas mãos dos soldados britânicos têm sido para nossos inimigos. São armas tão destrutivas à teologia que ela protesta contra elas.

Por essa razão, sejamos lentos em abrir mão deles. Agarremo-nos às verdades de Deus com mão de ferro e jamais as soltemos. Afinal, há um protestantismo que ainda vale a pena defender; há um calvinismo que ainda vale a pena proclamar, e um evangelho pelo qual vale a pena morrer. Há um cristianismo distinto e diferente do ritualismo, do racionalismo e do legalismo, e façamos saber que nele cremos. Erguei vossas bandeiras, soldados da cruz! Não é hora de nos amedrontarmos com os clamores contra as convicções conscienciosas, que hoje em dia recebem o apelido de sectarismo e fanatismo. Crede de coração no que professais crer; proclamai aberta e zelosamente o que sabeis ser a verdade. Não tenhais vergonha de dizer que tais e tais coisas são verdadeiras, e deixai os homens tirarem a conclusão de que o oposto é falso. Quaisquer que sejam as doutrinas do evangelho para o resto da humanidade, sejam para vós vossa glória e vosso orgulho. Exibi vossas bandeiras, e que essas bandeiras sejam as que a Igreja antiga carregava. Desfraldrai o antigo estandarte primitivo, o estandarte invicto da cruz de Cristo. Em muito verdade — in hoc signo vinces — a expiação é a verdade conquistadora.

As bandeiras eram carregadas não apenas para distinção, mas também para servir aos propósitos de disciplina. Assim, um exército com bandeiras tinha uma bandeira como estandarte central, e depois cada regimento ou batalhão exibia sua própria bandeira particular. Os exércitos de Deus, que marcharam tão gloriosamente pelo deserto, tinham seu estandarte central. Suponho que era o próprio poste sobre o qual Moisés levantou a serpente de bronze — seja como for, nossa serpente de bronze é o estandarte central da Igreja — e então, além disso, cada tribo das doze tinha suas próprias bandeiras particulares, e com essas erguidas à frente, as tribos marchavam em ordem, de modo que não havia confusão na marcha e não havia dificuldade em enfileirar os homens armados no tempo de batalha.

Assim, irmãos, na Igreja de Deus deve haver disciplina — a disciplina não apenas de admissão e de exclusão ao receber os convertidos e rejeitar os hipócritas, mas a disciplina de ordenar as tropas para o serviço de Cristo na santa guerra em que estamos engajados. Cada soldado deve ter suas ordens, cada oficial sua tropa, cada tropa seu lugar fixo no exército, e todo o exército uma regularidade tal como prescrita na regra: "Façam-se todas as coisas decentemente e com ordem." Assim como nas fileiras cada homem tem seu lugar, e cada fileira tem sua fase particular no batalhão, assim em cada Igreja devidamente constituída cada homem, cada mulher, terá, para si próprio, sua própria forma particular de serviço, e cada forma de serviço se ligará a todas as outras, e o conjunto combinado constituirá uma força que não pode ser quebrada.

As bandeiras também podem representar atividade. Quando um exército abaixa suas cores, a luta acabou. Pouco se faz nos círculos militares quando as bandeiras são guardadas; as tropas estão de folga ou descansando nos quartéis. Um exército com bandeiras está em exercício, ou em marcha, ou em combate; provavelmente está no meio de uma campanha, está ordenado para o ataque e a defesa, e haverá trabalho árduo em breve. É de temer que algumas igrejas tenham guardado suas bandeiras para apodrecer em estado de dignidade, ou as tenham encerrado numa fria propriedade. Não esperam fazer grandes coisas, nem ver grandes coisas. Não esperam muitas conversões; se muitas ocorressem, ficariam alarmadas e desconfiadas. Não esperam que o ministério de seu pastor seja com poder; e se o fosse com efeito manifesto, ficariam muito perturbadas e talvez reclamassem que ele criava muita excitação.

O pior é que as igrejas que nada fazem são geralmente muito ciumentas de que alguém invada seu domínio. Nossas igrejas imaginavam, algum tempo atrás, que todo um distrito desta cidade populosa lhes pertencia para cultivar ou negligenciar conforme seu decreto monopolizador. Se alguém tentava levantar um novo interesse, ou mesmo construir um posto de pregação a meio quilômetro delas, ressentiam-no como uma incursão perniciosa em sua propriedade. Elas próprias nada faziam, e tinham muito medo de que alguém as suplantasse. Como os advogados de outrora, que tiravam a chave do conhecimento, não entravam eles próprios e impediam os que estavam para entrar. Oxalá esse dia tenha passado de uma vez por todas; mas ainda há muito do velho espírito em certos setores. É mais do que tempo de cada Igreja sentir que, se não trabalha, a única razão de sua existência se foi. A razão de ser de uma Igreja é a edificação mútua e a conversão de pecadores; e se esses dois fins não são realmente atingidos por uma Igreja, ela é um mero nome, um empecilho, um mal, uma praga — como o sal que perdeu o sabor, não serve nem para a terra nem para o esterqueiro.

Uma descrição de exército com bandeiras implica também um grau de confiança. Não é um exército que recua do inimigo e está disposto a esconder suas cores para completar sua fuga. Um exército que tem medo de se aventurar ao ar livre mantém suas bandeiras fora do brilho do sol. Bandeiras erguidas são sinal de uma intrepidez que antes convida do que declina o conflito. Ó guerreiros da cruz, desfraldrai o antigo estandarte do evangelho à brisa; ensinaremos ao inimigo que força há em mãos e corações que se concentram no Cristo de Deus.

"Erguei-vos! Erguei-vos por Jesus! Ó soldados da cruz!
Erguei bem alto sua real bandeira; não pode sofrer perda:
De vitória em vitória Seu exército Ele há de conduzir
Até que todo inimigo seja vencido E Cristo seja de fato o Senhor."

Não podemos depositar confiança demais no evangelho; nossa fraqueza está em sermos tão tímidos e tão propensos a buscar força em outro lugar. Não cremos no evangelho quanto ao seu poder sobre os filhos dos homens como deveríamos crer. Por demais frequentemente o pregamos com voz de covarde. Tenho ouvido sermões que começam com servis pedidos de desculpas pelo atrevimento do pregador em abrir a boca — desculpas por sua juventude, por suas afirmações, por ousar intrometer-se nas consciências dos homens. Pode Deus reconhecer embaixadores dessa raça covarde que confunde o temor dos homens com a humildade?

Uma vez mais, um exército com bandeiras pode significar constância e perseverança na sustentação da verdade. Vemos diante de nós não um exército que perdeu suas bandeiras, que sofreu que suas cores lhe fossem arrancadas, mas um exército que sustenta em alto o seu antigo estandarte e ainda jura por ele. Sejamos muito diligentes em manter a fé outrora entregue aos santos. Não cedamos esta ou aquela doutrina, segundo o ditame da política ou da moda; mas qualquer que seja a palavra de Jesus para nós, recebamo-la como palavra de vida. Grande dano pode ser causado a uma Igreja antes que ela perceba, se tolerar o erro aqui e ali; pois a falsa doutrina, como o pequeno fermento, rapidamente leveda toda a massa. Se a Igreja for ensinada pelo Espírito a conhecer a voz do Bom Pastor, a um estranho ela não seguirá; pois não conhece a voz dos estranhos.

II. A IGREJA É CHAMADA DE TERRÍVEL

Em segundo lugar, a Igreja é chamada de terrível. A quem ela é terrível? Deve ser amável, e o é. Oxalá Deus conceda que nossa Igreja nunca seja terrível para os novos convertidos por causa de aspereza e falta de caridade. Sempre que ouço de candidatos que ficam alarmados ao comparecer diante de nossos presbíteros, ou ao ver o pastor, ou ao fazer profissão de fé diante da Igreja, gostaria de dizer-lhes: "Afastai vossos temores, amados; teremos prazer em receber-vos, e encontrareis em nosso convívio um prazer e não uma provação." Longe de desejar repeli-los, se realmente amam o Salvador, teremos enorme prazer em recebê-los. O julgamento áspero é contrário ao espírito de Cristo e à natureza do evangelho; onde ele é a regra, a Igreja é desprezível, e não terrível. O fanatismo e a falta de caridade são sinais de fraqueza, não de força.

A quem e para que é terrível a Igreja? Respondo: em primeiro lugar, ela é de certo modo terrível a todos os ímpios. Uma Igreja verdadeira, em sua santidade e testemunho, é muito temível para os pecadores. Os ímpios não ligam nada para uma Igreja de faz-de-conta, nem para cristãos de mentira; mas um cristão verdadeiramente fervoroso envergonha os ímpios. Conhecemos alguns que não conseguiam usar a linguagem obscena a que estavam habituados quando estavam na presença de homens e mulheres piedosos, embora essas pessoas não tivessem autoridade, posição ou categoria. Até mesmo na companhia mais libertina, quando um cristão de conhecida consistência de caráter falava sabiamente uma palavra de repreensão, uma solene consternação se apoderava da maioria dos presentes; suas consciências testemunhavam contra eles, e sentiam quanto é formidável a bondade.

Não que jamais devamos tentar impressionar outros com qualquer medo de nós mesmos; tal tentativa seria ridicularizada e terminaria em merecido fracasso; mas a influência que descrevemos flui naturalmente de uma vida piedosa. A majestade de caráter nunca reside na afetação de comportamento, mas na solidez da virtude. Se há real bondade em nós — se real, fervente e zelosamente amamos o justo e odiamos o mal — o fluxo de nossa vida, quase sem uma palavra, julgará os ímpios e os condenará no íntimo de seus corações. A vida santa é a mais pesada condenação do pecado.

Há também algo de terrível numa Igreja viva para todos os que propagam erros. Neste momento dois exércitos acamparam contra o exército de Deus, opostos entre si, mas confederados contra a Igreja de Deus. O ritualismo, com sua superstição, seu sacerdotalismo, sua eficácia sacramental, seu ódio às doutrinas da graça; e do outro lado o racionalismo, com sua incredulidade irônica e suas absurdas especulações. Estes, como Herodes e Pilatos, só concordam em oposição a Cristo; têm um temor comum, embora não o confessem. Não temem aqueles discursos plataformados em que são tão furiosamente denunciados em reuniões públicas, nem aquelas discussões filosóficas em que são superados por argumentos; mas odeiam, temem e por isso abusam e fingem desprezar a pregação ora e zelosa, singela e simples da verdade como ela está em Jesus. Esta é uma arma contra a qual não podem resistir — a arma do velho evangelho. Nos dias de Lutero ela fez maravilhas; ela operou prodígios nos dias de Whitefield e Wesley; ela frequentemente restaurou a arca do Senhor para nossa terra, e o fará novamente.

Mesmo ao próprio Satanás a Igreja de Deus é terrível. Ele pode, pensa ele, lidar com indivíduos, mas quando esses indivíduos se fortalecem mutuamente pela mútua comunhão e oração, quando estão ligados uns aos outros em amor santo, e formam um templo em que Cristo habita, então Satanás se vê em apuros. Ó irmãos e irmãs, não é toda Igreja que é terrível assim; mas é uma Igreja de Deus na qual há a vida de Deus e o amor de Deus; uma Igreja na qual há o estandarte erguido, o estandarte da cruz, sustentado em alto em meio às várias bandeiras de doutrina verdadeira e graça espiritual de que acabo de falar.

III. POR QUE A IGREJA DE CRISTO É TERRÍVEL COMO UM EXÉRCITO COM BANDEIRAS

Tomemos um terceiro ponto: por que a Igreja de Cristo é terrível como um exército com bandeiras? Por que é terrível por causa de suas bandeiras? Toda a passagem parece dizer que a Igreja é terrível como um exército, mas que no mais alto grau ela deve sua terribilidade às suas bandeiras. "Terrível como um exército com bandeiras." Creio que o grande estandarte da Igreja cristã é o Salvador erguido. "E eu, se for levantado da terra, atrairei todos a mim." Em torno dEle nos reunimos. "A ele se ajuntarão os povos." Como a serpente de bronze no meio do acampamento no deserto, assim o Salvador é erguido em alto, nossa bandeira. O sacrifício expiatório de Cristo é o grande estandarte central de todos os verdadeiramente regenerados, e esta é a principal fonte de terror para os inimigos de Israel.

O exército em si é terrível. Por quê? Primeiro, porque consiste de pessoas eleitas. Lembrai como a mulher de Hamã indagou acerca de Mordecai se ele era da semente dos judeus; pois se o fosse, ela predisse que o esquema do marido provaria ser um fracasso. "Se Mordecai é da semente dos judeus, diante de quem começaste a cair, não prevalecerás contra ele, mas decerto cairás diante dele." Agora, a Igreja de Deus, composta de homens e mulheres, não é nada mais do que qualquer outra organização ao olhar exterior. Ela não possui em si mesma, naturalmente, os elementos de força, segundo o cálculo ordinário. Com efeito, sua própria confissão é que, em si mesma, é perfeita fraqueza — um rebanho de ovelhas entre lobos; mas sua força está em que cada um dos verdadeiros membros da Igreja é da estirpe real; são os escolhidos de Deus, a semente da mulher, ordenada de antemão para quebrar a cabeça de Satanás e de toda a sua semente de serpentes. São a fraqueza de Deus, mas são mais fortes do que os homens; Ele determinou com as coisas que não são, reduzir a nada as que são.

A Igreja também consiste de um povo que ora. A oração é o que une a fraqueza à força infinita. Um povo que sabe orar nunca pode ser vencido, porque suas forças de reserva nunca podem ser esgotadas. Ide à batalha, meu irmão; e se fordes vencido com a força que tendes, a oração chamará outra legião. Sim, vinte legiões de anjos, e o inimigo se maravilhará ao ver adversários que ainda seguram o campo sem serem derrotados. Se dez mil santos fossem queimados amanhã, suas orações agonizantes fariam a Igreja ressurgir como uma fênix das cinzas. Quem, portanto, pode resistir a um povo cujas orações alistam a Deus em sua causa? "O Senhor dos Exércitos está conosco; o Deus de Jacó é o nosso refúgio."

Além disso, uma Igreja verdadeira é fundada sobre a verdade eterna. A verdade é, e a verdade será. Ela é a única substância, e deve superar o lapso das eras. As falsidades logo se inflam até sua perfeição de desenvolvimento, como as bolhas com matizes de arco-íris que as crianças sopram, mas são dispersas tão facilmente quanto foram formadas; são filhos da hora, enquanto a verdade é a prole e herdeira da eternidade. A falsidade morre, traspassada pelo coração pelas flechas do tempo, mas a verdade, em sua armadura impenetrável, desafia todos os inimigos. Os homens que amam a verdade estão construindo com ouro e prata e pedras preciosas; e embora sua arquitetura possa progredir lentamente, é construída para a eternidade.

Além disso, os poderes do mal tremem ao ver o velho estandarte, porque têm um pressentimento de seu futuro triunfo completo. Está decretado por Deus e fixado por Seu propósito predestinador que toda carne verá a salvação de Deus. Jesus deve reinar; o Crucificado deve conquistar. As mãos pregadas na madeira devem empunhar o cetro de todos os reinos. Na pregação de Cristo está o machado de guerra e as armas de guerra com que o Senhor executará Seus decretos eternos. A Igreja, com o nome de Emanuel gravado em sua bandeira — que é seu dever manter bem exibida e erguida em alto —, há de ser terrível para todos os poderes das trevas.

Concluiremos com algumas reflexões. Que cada um aqui diga a si mesmo: "Um exército, uma companhia de guerreiros — sou eu um deles? Sou um soldado? Entrei na Igreja; faço uma profissão; mas sou realmente um soldado? Combato? Suporto a dureza? Sou mero cavaleiro de salão, mero soldado de cama, um daqueles que se comprazem em vestir o uniforme para adornar-se com uma profissão sem jamais ir à guerra?" "Sou um soldado da cruz — um seguidor do Cordeiro?"

Passai a pergunta adiante, meus caros irmãos e irmãs: sois soldados que se engajam em combate real por Jesus, sob sua bandeira? Reunis-vos em torno dela? Conheceis o estandarte? Amais-o? Poderíeis morrer em sua defesa? É a pessoa de Jesus o mais precioso de todos os bens para vós? Valorizais a doutrina da substituição expiatória? Sentis vossa própria energia e poder despertados na sua defesa e por amor a ela?

E então "terrível." Sou de alguma maneira terrível por ser cristão? Há algum poder em minha vida que condenaria um pecador? Há alguma santidade em mim que faria com que um ímpio se sentisse mal à vontade na minha companhia? Há Cristo suficiente em minha vida para me fazer como uma luz no meio das trevas? Ou é muito provável que, se eu vivesse numa casa, os habitantes nunca vissem diferença alguma entre mim e os ímpios?

Mais um pensamento. Se não sou um soldado, se não sou um servo de Cristo de fato, e ainda assim venho ao lugar de culto onde os cristãos se reúnem, e onde Cristo é pregado, chegará o dia em que a Igreja de Deus me será muito terrível. Suponhamos que haja uma pessoa ouvindo este sermão que tem estado ouvindo a pregação da Palavra neste lugar por muitos anos. Imaginemos que o último dia chegou. Sois trazido diante do grande tribunal, e esta é a pergunta: "Este pecador ouviu o evangelho fielmente pregado? Ele é ímpio, rejeitou Cristo: merece ser rejeitado? Ouviu ele realmente o evangelho, e o rejeitou?" Se me pedirem para dar meu testemunho, direi: "Ao melhor de minha capacidade, tentei contar-lhe o evangelho de Jesus Cristo." "Este pecador foi orado pelos membros da Igreja?" Muitos dos membros desta Igreja se sentiriam obrigados a declarar: "Sim, Senhor, oramos por ele." Sim, e todos deveríamos dizer: "Se não oramos por ele pelo nome, o incluímos na companhia geral dos que frequentavam os meios de graça, pelos quais fazíamos intercecessão constante."

Quando o grande Juiz condenar o pecador a ser levado à execução, toda a Igreja com quem esse pecador adorou, e na cujo presença esse pecador rejeitou a Cristo, tornar-se-á "terrível como um exército com bandeiras"; pois todas as suas vozes dirão: "Amém! Amém! Amém! Tu és justo, ó Senhor." Isto não é um quadro imaginado. Não sabeis que os santos julgarão o mundo? Serão co-assessores com o Filho de Deus no último grande assizes, e dirão "Amém!" a todo veredicto que proceder de Sua boca.

Oh, que o pensamento disso pudesse ser abençoado pelo Espírito de Deus, de modo a levar muitos de vós a reconciliar-vos com Deus! Jesus ainda é o amoroso Mediador, e uma plena rendição de vós mesmos a Ele certamente vos salvará. Todo aquele que nEle crê não é condenado; e isto é crer nEle — que confieis nEle, e saibais que Deus nos deu a vida eterna — e esta vida está em Seu Filho, que sofreu em lugar dos pecadores, para que todo aquele que nEle crê não pereça, mas tenha a vida eterna. O Senhor vos abençoe, pelo amor do Senhor Jesus. Amém.

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